Entre os principais transtornos do neurodesenvolvimento estão o TEA, relacionado a alterações na comunicação, interação social e padrões de comportamento; o TDAH, marcado por dificuldades de atenção, controle dos impulsos e hiperatividade; a deficiência intelectual, caracterizada por limitações no funcionamento intelectual e nas habilidades adaptativas, como comunicação, autonomia e participação social; e os transtornos específicos da aprendizagem, que podem comprometer habilidades como leitura, escrita e matemática. “Ainda que tenham em comum o início na infância e a relação com alterações no desenvolvimento cerebral, essas condições apresentam manifestações distintas e podem variar em intensidade na vida de cada criança”, destaca o neurologista infantil Marcelo de Melo Aragão. Diante dessa diversidade, a avaliação diagnóstica deve considerar o impacto funcional dessas alterações, e não apenas a presença de determinados sinais.
O grupo inclui, ainda, os transtornos da comunicação que podem comprometer a linguagem, a fala ou a interação comunicativa; os transtornos motores, como o transtorno do desenvolvimento da coordenação, caracterizado por dificuldades na aquisição e na execução de habilidades motoras; e o transtorno do movimento estereotipado, marcado por movimentos repetitivos sem finalidade aparente. “Nesta lista também estão os transtornos de tiques, que incluem a síndrome de Tourette e outras alterações caracterizadas por movimentos ou vocalizações involuntárias e recorrentes”, afirma o neurologista Marlos Melo Martins. Entre as condições genéticas associadas aos transtornos do neurodesenvolvimento está a síndrome de Rett, uma alteração rara geralmente relacionada a mutações no gene MECP2 que pode causar perda de habilidades adquiridas, alterações motoras, impactos na comunicação e na cognição. De ocorrência predominante em meninas, essa síndrome costuma se manifestar após um período inicial de desenvolvimento aparentemente típico.

