Oscilações de humor, alterações na energia, no sono e no comportamento podem estar entre os sinais do transtorno bipolar. Com causas biológicas, neuroquímicas e psicossociais, a condição afeta cerca de 140 milhões de pessoas no mundo, segundo a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA). Apesar de ainda ser cercada por desinformação e preconceito, o diagnóstico adequado e o acompanhamento contínuo são fundamentais para controlar os episódios sintomáticos e favorecer mais qualidade de vida.
Com início principalmente entre a adolescência e fase jovem adulta, o transtorno bipolar pode se manifestar por quadros de mania, hipomania e depressão. Nos episódios maníacos, os sintomas mais frequentes podem incluir humor continuamente alegre, energia elevada, ideias grandiosas, redução da necessidade de sono, períodos de irritação, fala acelerada e distração. “Também podem ocorrer agitação motora, surtos desenfreados de compras, envolvimento em projetos múltiplos e prejuízos nas esferas social, educacional e profissional”, explica o médico psiquiatra Marcelo Salomão Aros.
Já a hipomania apresenta sintomas de menor intensidade e, consequentemente, menor impacto sobre a vida cotidiana. “Independentemente do tipo, tais quadros duram pelo menos quatro dias consecutivos e podem ser percebidos pelo próprio paciente como aumento de energia, produtividade ou disposição”, descreve o especialista, que é professor do curso de Medicina da Universidade de Franca (Unifran). Ainda assim, familiares e pessoas próximas podem notar mudanças incomuns no humor e no comportamento.
O transtorno bipolar também pode incluir quadros depressivos. “Entre os sintomas estão humor triste ou sensação de vazio, perda de interesse ou prazer nas atividades, redução da energia e alterações no apetite e no peso”, enumera o especialista. Dificuldades de concentração, insônia ou sono excessivo, agitação ou lentificação dos movimentos estão entre as demais manifestações. Podem surgir, ainda, sentimento de culpa ou inutilidade e, nos casos mais graves, pensamentos suicidas.
Tratamento e qualidade de vida
O tratamento do transtorno bipolar é individualizado e pode envolver medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. A prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada podem complementar os cuidados e contribuir para o controle dos sintomas. “Com acompanhamento adequado e contínuo, é possível manter uma rotina funcional e preservar a qualidade de vida”, enfatiza o especialista. A participação da família e de pessoas próximas é outro aspecto importante, tanto para favorecer a adesão ao tratamento quanto para reconhecer mudanças no humor e no comportamento que mereçam atenção.
Apesar dos avanços no conhecimento sobre os transtornos mentais, o estigma ainda pode levar pessoas com transtorno bipolar a serem vistas de forma equivocada como incapazes, improdutivas ou instáveis. Por isso, ampliar a compreensão sobre a doença é uma das formas de enfrentar visões estereotipadas e favorecer a inclusão. “No cotidiano, pequenas atitudes de tolerância e auxílio no trabalho, nas reuniões de família, na igreja e em outros espaços que o paciente frequenta regularmente podem fazer a diferença para sua integração”, finaliza o médico.

