Embora ainda restem muitas dúvidas a respeito dos caminhos que Bifidobacterium e Lactobacillus percorrem para sair do intestino da mãe e chegar à glândula mamária, a literatura já aponta três vias possíveis. A primeira é a via enteromamária, com células dendríticas intestinais da mãe captando essas bactérias e carreando até a mama. “Ainda não sabemos como essas bactérias percorrem esse caminho, se é mesmo apenas pelas células dendríticas ou via sistema imune, macrófagos ou fagócitos. O fato é que a glândula mamária e o leite têm muitas células imunológicas”, afirma a professora Carla Taddei. Também é consenso científico que a microbiota intestinal está diretamente relacionada à maturação do sistema imunológico, uma vez que essas bactérias interagem com o sistema imune e o ‘ensinam’ a diferenciar entre microrganismos benéficos e nocivos. A segunda via é a pele da mãe, porque o ducto mamário está exposto. E a terceira via é a boca do próprio bebê, dominada por Streptococcus. Assim, na hora em que ocorre a ‘pega’, pode acontecer um movimento retrógrado das bactérias da boca do bebê colonizando a glândula mamária.
As análises também mostraram a trajetória da formação da microbiota, ou seja, o índice de maturação ao longo do tempo. Ao nascer, o bebê tem uma colonização por anaeróbios facultativos dominantes, organismos que podem sobreviver tanto na presença como na ausência de oxigênio e que consomem o oxigênio do intestino e vão tornando o ambiente anaeróbio. A partir daí, começa a colonização por bactérias anaeróbias e um aumento gradativo da diversidade para permitir a tolerância imunológica. De acordo com a professora, quanto mais lento for o aumento da diversidade no primeiro ano de vida, melhor para a criança e para o sistema imune. “E ter a Bifidobacterium como dominante é ótimo, porque essa bactéria quebra o oligossacarídeo do leite e alimenta as outras bactérias em cross-feeding, que é a alimentação cruzada, deixando o ambiente estável. Quando a criança chega aos seis meses de idade e começa a receber a dieta sólida no lugar do aleitamento exclusivo, essa microbiota já está devidamente preparada”, detalha. E, neste sentido, não importa o tipo de parto, mas sim a amamentação exclusiva. •

