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Nervo esplâncnico maior

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Nervo simpático atua na resposta imunológica da sepse

Escrito por: Fernanda Ortiz

Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universi­dade de São Paulo (ICB-USP) revelou que o nervo simpático, particularmente uma ramificação conhecida como nervo esplâncnico maior, desempenha papel fundamental na resposta imunológica. A partir de experimentos com modelos animais com peritonite, observou-se que essa ramificação regula de forma seletiva subgrupos de neutrófilos, células responsáveis por atacar e destruir patógenos durante infecções graves. Essa descoberta promissora pode transformar o tratamento da sepse ao abrir caminho para terapias personalizadas que possam potencializar a ação da resposta imune e reduzir danos colaterais.

Os nervos esplâncnicos são pares de nervos autonômicos que conectam o sistema nervoso central às vísceras torácicas e abdominopélvicas, desempenhando papel crucial na inervação simpática. Além de controlarem funções involuntárias como digestão, fluxo sanguíneo visceral e resposta à dor, são essenciais para modular a resposta imune. Para investigar se e como os efeitos da ablação bilateral do nervo esplâncnico maior (formado por ramos dos gânglios torácicos, geralmente T5 a T9) impactam a carga bacteriana e a função imunológica em infecções, pesquisadores liderados pelo professor Alexandre Steiner, coordenador do Laboratório de Neuroimunologia da Sepse do Departamento de Imunologia do ICB-USP, utilizaram um modelo de peritonite séptica em ratos induzida pela bactéria Escherichia coli.

Os testes mostraram que a interrupção na comunicação do nervo esplâncnico maior aumentou significativamente a eficácia de um subgrupo de neutrófilos ativados, reduzindo a carga bacteriana em 96% no peritônio e 92% no baço. Utilizando tecnologias avançadas como o sequenciamento de RNA de célula única, os pesquisadores identificaram as mudanças específicas nas subpopulações de neutrófilos associadas à modulação pelo nervo esplâncnico. “Diferentemente do conceito tradicional, notamos que os neutrófilos são ativados de formas heterogêneas. Além de identificar uma população microbicida que causa dano colateral, encontramos uma subpopulação de neutrófilos reguladora que é ativada para inibir a resposta imune, fazendo com que essas células fiquem menos agressivas”, descreve o professor.

Como resultado, o nervo esplâncnico maior alterou o equilíbrio entre esses subconjuntos de neutrófilos de forma consistente com a supressão da imunidade. Os demais agrupamentos observados foram os macrófagos e eritrócitos, cujas alterações não explicam os efeitos observados na eliminação bacteriana. “Em conjunto, os dados mostram que o nervo esplâncnico exerce um efeito importante na eliminação bacteriana na fase aguda da infecção, possivelmente devido a alterações seletivas no equilíbrio entre subconjuntos de neutrófilos microbicidas e reguladores”, avalia. A descoberta desafia o conceito tradicional de regulação generalizada do sistema nervoso, pois o nervo esplâncnico maior atua como um equalizador que ajusta seletivamente somente alguns aspectos da resposta imune.

Os achados demonstram o mecanismo do sistema nervoso simpático de forma pioneira no modelo de infecção, ressaltando seu potencial como alvo para futuras terapias personalizadas no tratamento da sepse. “Uma das implicações mais promissoras é o uso da bioeletrônica para modular de forma localizada o nervo simpático e influenciar a resposta inflamatória. Entretanto, o grande desafio está em desenvolver ferramentas rápidas para identificar os fenótipos específicos de cada paciente, para sabermos em quais deles a terapia poderia ser eficaz”, informa o professor. Os pesquisadores também querem entender quais são as subpopulações de neutrófilos, se funcionam em outros modelos de infecção e se há correlatos clínicos em pacientes sépticos. O artigo ‘The greater splanchnic nerve preferentially regulates neutrophils over macrophages in a rat model of septic peritonitisfoi publicado em 2025 na conceituada revista Brain Behavior and Immunity. •

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