Um sistema desenvolvido por brasileiros usa a inteligência artificial para dar apoio à farmácia clínica hospitalar, auxiliando na análise de prescrições médicas e na priorização de pacientes mais críticos. Presente em cerca de 200 hospitais que atendem mais de 50% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), a NoHarm.ai (Sistema Inteligente para Farmácia Clínica) contabiliza cerca de 5 milhões de prescrições por mês, beneficiando mais de 4 milhões de pacientes.
De acordo com a farmacêutica Ana Helena Ulbrich, doutora em Química, diretora e responsável técnica da NoHarm, a tecnologia prioriza pacientes críticos e prescrições médicas de maior risco, uma vez que em muitos hospitais não há farmacêuticos suficientes para realizar uma análise aprofundada de todas as prescrições antes da liberação dos medicamentos. “A tecnologia ajuda a direcionar a atenção dos profissionais para os casos mais urgentes e complexos, garantindo maior segurança aos pacientes que mais precisam”, acentua. Além disso, gera alertas inteligentes para apoiar a validação das prescrições. Esses sinais indicam pontos específicos que merecem atenção como dose elevada, posologia incomum e doses incompatíveis com o peso do paciente, além de situações consideradas fora do padrão clínico.
Parte da funcionalidade do programa é dedicada ao gerenciamento de antimicrobianos, permitindo o acompanhamento de pacientes em uso prolongado, monitoramento de culturas e emissão de alertas para reavaliação farmacêutica e ajustes de dose. O sistema também possui um algoritmo preditivo, em fase de validação, capaz de estimar a probabilidade de resistência bacteriana aos antimicrobianos com base no perfil microbiológico do hospital, histórico institucional e características clínicas do paciente, auxiliando na escolha mais assertiva do tratamento empírico e no uso racional de antibióticos de amplo espectro.

