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Distúrbio da visão

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Daltonismo é mais frequente no sexo masculino

Escrito por: Fernanda Ortiz

O daltonismo é um distúrbio da visão sem cura que interfere na percepção das cores, especialmente na dificuldade em distinguir o vermelho e o verde. Com causa genética e mais frequente em pessoas do sexo masculino, a condição afeta cerca de 5% da população mundial de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com diferentes formas e graus de intensidade, o daltonismo pode se apresentar como uma leve dificuldade em perceber determinada cor até a total incapacidade de identificá-la.

Na quase totalidade dos casos, o daltonismo é geneticamente hereditário e recessivo, ligado ao cromossomo X (herdado da mãe). De acordo com a médica oftalmologista Tatiana Côrrea de Souza, do Hospital de Olhos (H. Olhos), esse distúrbio da visão é causado por uma alteração nos cones da retina, ou seja, nas células responsáveis pela percepção das cores. “Ao serem estimulados pela luz, os cones enviam sinais elétricos ao cérebro, que interpreta a informação e permite distinguir as cores”, complementa. No entanto, a percepção fica limitada quando esses cones não funcionam adequadamente.

Além da interferência na compreensão das cores, indivíduos daltônicos podem apresentar sensibilidade à luz e não reconhecer brilho em objetos coloridos. O diagnóstico começa a ser investigado ainda na infância, quando a criança apresenta dificuldade para nomeação das cores ou mesmo em perceber diferenças entre elas. O rastreio pode ser confirmado por meio de exames médicos, a exemplo do teste de Ishihara, que consiste na exibição de uma série de cartões coloridos para avaliar o grau de daltonismo.

Impactos na qualidade de vida

O daltonismo pode causar impactos, especialmente no desenvolvimento infantil. A especialista explica que, por afetar a percepção e distinção entre as cores, esse distúrbio da visão pode influenciar o aprendizado escolar. “De acordo com tipo e grau de daltonismo, as crianças podem apresentar dificuldade em distinguir materiais didáticos que utilizam cores, por exemplo, livros, gráficos e mapas”, observa. Essa condição pode afetar a compreensão do conteúdo. Nos adultos, identificar as cores do sinal de trânsito ou escolher roupas também pode ser um grande desafio.

Para lidar com esses contratempos, pessoas daltônicas desenvolvem estratégias de adaptação. Entre os exemplos estão o uso de óculos especiais, aplicativos e dispositivos que ajustam a paleta ou identificam as cores; e o uso de etiquetas ou outros padrões que não dependem de cores para ajudar na identificação de informações. “No geral, com conscientização, apoio e estratégias adequadas é possível mitigar muitas das dificuldades do daltonismo no aprendizado e no cotidiano”, acentua a especialista.

Características distintas

A depender da célula cone deficiente, o daltonismo pode se apresentar em tipos distintos. Assim, pode ser parcial (com graus diferentes de severidade) e total/acromático, no qual as pessoas enxergam somente em preto, branco e tons de cinza.

  • Deuteranomalia – O indivíduo tem dificuldade para distinguir todos os tons de verde e, em alguns casos, algumas tonalidades de vermelho. Neste caso, o verde é visto de forma apagada ou como uma cor mais próxima do cinza. Essa categoria costuma ser leve e, geralmente, não atrapalha as atividades normais.
  • Protanopia – Forma mais comum de daltonismo, dificulta a distinção entre as cores vermelha e verde. Neste tipo, o vermelho é visto de forma mais apagada ou marrom.
  • Tritanopia – Menos comum, essa manifestação afeta a percepção entre as cores azul e amarelo. O azul pode parecer mais verde e o amarelo pode ser confundido com o vermelho ou marrom.
  • Acromatopsia – Forma mais extrema do daltonismo. Neste caso, o indivíduo não consegue identificar nenhuma cor e enxerga o mundo em tons de cinza.

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