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Lesão na medula espinhal

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Proteína é testada para recuperação de lesão medular

Escrito por: Elessandra Asevedo

Uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentou resultados de uma pesquisa que pode revolucionar o tratamento de lesão na medula espinhal. O projeto investiga o uso da polilaminina, um polímero sintético criado em laboratório a partir da proteína laminina. Essa proteína da matriz extracelular é importante no desenvolvimento do sistema nervoso e na orientação dos prolongamentos neuronais. A hipótese do estudo é que a polimerização da laminina recria uma malha extracelular que favorece a regeneração ou a formação de atalhos entre neurônios acima e abaixo do local lesionado, permitindo a transmissão de impulsos elétricos e, consequentemente, os movimentos. “Quando reintroduzida no corpo, a polilaminina ajuda os neurônios a formar novos caminhos para os impulsos elétricos que permitem movimentos. Então, recriamos em laboratório essa malha extraindo a proteína de placentas”, relata a bióloga Tatiana Coelho Sampaio, docente e pesquisadora da UFRJ.  

Inicialmente, a técnica foi testada em ratos. Posteriormente, o estudo envolveu seis cães com paralisia nas patas traseiras. Depois da aplicação da substância diretamente na medula, quatro animais conseguiram voltar a dar passos e melhorar a firmeza da marcha e dois tiveram avanços mais discretos. Para a pesquisadora, os efeitos mostram que a proteína estimulou a regeneração de conexões nervosas na medula espinhal, permitindo que alguns cães recuperassem a mobilidade. Durante o estudo clínico conduzido em humanos, a polilaminina foi aplicada em dose única diretamente na região lesionada em oito pacientes que haviam perdido completamente a sensibilidade e os movimentos. Seis recuperaram a função motora. A aplicação foi feita no centro cirúrgico logo depois do acidente durante os processos habituais de uma intervenção pós-trauma. “Sabemos que os efeitos são mais pronunciados quando a aplicação ocorre dentro de até 72 horas depois do acidente, por causa das características da droga”, reforça a pesquisadora.  

Apesar dos resultados promissores, outros estudos são necessários para identificar se seriam necessárias mais aplicações e a duração do efeito no paciente. Outro fator que precisa ser pesquisado é a vantagem da aplicação de polilaminina em pessoas com lesões antigas, para avaliar os possíveis efeitos. A pesquisadora afirma que o polímero sintético é um material único, seguro, relativamente barato e pode ser armazenado no freezer. Embora ainda esteja na fase de estudos, o grupo acredita que, com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para realização de um novo estudo clínico regulatório, o medicamento esteja rapidamente disponível nos hospitais e se torne parte dos protocolos médicos de atendimento a vítimas de trauma. No caso de pessoas que já tiveram a lesão há mais tempo, o desenvolvimento ainda levará alguns anos. “Entendemos que o tratamento eficaz para lesões crônicas exigirá o uso combinado de várias abordagens terapêuticas que, juntas, poderão restaurar a capacidade dos neurônios de estender axônios através de um ambiente particularmente não permissivo à regeneração”, finaliza.• 

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