O transtorno de ansiedade é um dos principais problemas de saúde mental em todo o mundo. No Brasil, dados da pesquisa Covitel 2023 mostram que 26,8% da população sofre com essa condição. Com sintomas emocionais e físicos, a ansiedade pode afetar as atividades cotidianas resultando em impactos profundos na qualidade de vida. Embora o tratamento seja muito associado à psicoterapia e ao uso de medicamentos, as técnicas da Fisioterapia também podem ser aliadas na redução dos sintomas. Simples e acessíveis, essas técnicas aliviam as tensões e ajudam o corpo a sair do estado de alerta constante, promovendo sensação de calma e bem-estar.
Durante uma crise de ansiedade, o corpo responde como se estivesse diante de um perigo real. De acordo com a fisioterapeuta Claudia Russi, professora do curso de Fisioterapia na Faculdade Anhanguera, respiração acelerada, músculos contraídos, batimentos cardíacos aumentados e tensão física generalizada são reações naturais do organismo. Entretanto, quando se tornam recorrentes provocam desgaste e desconforto. “Nestes casos, as técnicas da Fisioterapia podem ser importantes, porque ajudam a reorganizar essas respostas e devolver ao corpo seu equilíbrio fisiológico”, comenta.
Simples e eficazes
Dentre as abordagens aplicadas na Fisioterapia, algumas se destacam pela eficácia em controlar os sintomas ansiosos. A fisioterapeuta afirma, por exemplo, que corpo e mente podem ser beneficiados através da reeducação respiratória, liberação miofascial (terapia manual que utiliza pressão e alongamento para aliviar a tensão no tecido conjuntivo) e massoterapia. Além disso, técnicas de relaxamento muscular progressivo e exercícios terapêuticos focados em consciência corporal ajudam a aliviar tensões.
Um ponto comum entre todas as técnicas de Fisioterapia é o controle da respiração, que é uma das principais portas de entrada para o controle da ansiedade. “Quando respiramos de forma curta e superficial, reforçamos o estado de alerta do sistema nervoso. Portanto, ensinar o paciente a respirar com profundidade, ativando o diafragma, é uma das formas mais rápidas de promover relaxamento”, orienta a especialista.
Outro recurso muito utilizado por fisioterapeutas são os exercícios de alongamento e liberação de tensões musculares acumuladas, especialmente na região cervical, lombar e dos ombros. Segundo a especialista, essas áreas concentram grande parte do estresse físico. “Ao trabalhar essas regiões, o paciente sente alívio quase imediato. E, com o tempo, vai entendendo os sinais do corpo e aprendendo a regular suas respostas físicas à ansiedade”, comenta.
Além das técnicas manuais, a Fisioterapia também estimula a prática de atividades que promovem conexão entre mente e corpo, como o Pilates terapêutico, que combina exercícios de atenção plena com respiração, fortalecimento e concentração. Além de estimular a liberação de endorfinas – hormônios que promovem bem-estar e melhoram a qualidade do sono – essa ferramenta auxilia na diminuição de preocupações excessivas. “O importante é entender que o corpo fala e que, ao escutá-lo e zelar por ele, também estamos cuidando das nossas emoções”, afirma a professora.
Aliada de outras abordagens
As técnicas de Fisioterapia não substituem tratamentos psicológicos ou psiquiátricos, mas podem complementar de forma valiosa os cuidados com a saúde mental. A fisioterapeuta acentua, ainda, a importância de ter uma atuação integrada, que reconhece o ser humano como um todo: físico, mental e emocional. “O papel do profissional de Fisioterapia é contribuir para que a pessoa recupere o bem-estar, o controle sobre o próprio corpo e a autonomia para enfrentar os desafios do dia a dia”, conclui.

