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Estratégias terapêuticas da equipe multidisciplinar são fundamentais

Escrito por: Fernanda Ortiz

A dessensibilização alimentar requer muito empenho da equipe multidisciplinar, flexibilizando de forma respeitosa e gradual (mesmo que lenta) a sua singularidade. Assim, a construção de uma estratégia terapêutica parte do entendimento de comportamento, capacidade de verbalização, preferências alimentares e restrições – severas ou não – e do diagnóstico de alergias, disfunções ou doenças metabólicas associadas. Com o objetivo de melhorar as habilidades cognitivas, sociais e alimentares, bem como prevenir deficiências nutricionais, o acompanhamento exige planejamento, ferramentas lúdicas e educativas, paciência e, principalmente, a participação ativa da família.

O plano de introdução/aprendizagem alimentar, focado idealmente em alimentos in natura e minimamente processados, deve seguir uma hierarquia sensorial, ou seja, tolerar, interagir, cheirar, tocar, provar e comer. De acordo com a nutricionista Helena Raposo, o primeiro passo é a tolerância/dessensibilização visual, que consiste em permitir a presença do alimento no campo visual. Na sequência (sem prazo pré-definido), ocorre a interação indireta, quando a criança toca os alimentos utilizando barreiras físicas (guardanapo ou utensilio de cozinha), evitando o contato direto com as mãos. “Conforme cada barreira é vencida, as próximas etapas incluem encostar diretamente no alimento, cheirar, explorar as texturas e brincar com a comida. Ao reduzir a aversão e ansiedade em torno do alimento, o último passo é levá-lo até a boca, tocá-lo com a língua, lamber, morder e mastigar, sem obrigatoriamente realizar a deglutição”, descreve.

A professora Maria Teresa Fialho de Sousa Campos acrescenta que, ao trabalhar as habilidades de tolerância, o alimento pode ser ressignificado. Nos casos em que há ritualismo, especialmente no comportamento rígido, muitas vezes o problema não está exclusivamente no alimento, mas em como é servido. Assim, é preciso observar como a criança se comporta na forma de distribuição e divisão dos alimentos no prato, na escolha por determinados utensílios de mesa, no primeiro alimento que busca nas refeições, qual alimento é deixado de lado, por qual razão e em qual proporção, além de avaliar textura, temperatura e cores de preferência relativas aos alimentos.

“Feito isso, o nutricionista identifica e avalia, junto com a família, os comportamentos que poderão nortear as estratégias educativas e efetivas para introduzir novos alimentos”, esclarece. Com ou sem rituais, uma das estratégias é ampliar o repertório a partir de um alimento previamente aceito pela criança – o chamado food chaining (encadeamento alimentar) –, ou seja, se a preferência for pelo vermelho, por exemplo, alimentos de cor laranja podem ser apresentados gradativamente. O ideal é que esse processo de adequação nutricional ocorra no tempo da criança.

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