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Síndrome nefrótica

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Síndrome nefrótica pode levar à insuficiência renal

Escrito por: Fernanda Ortiz

O que parece ser apenas uma retenção de líquido pode mascarar sintomas relacionados à síndrome nefrótica. Caracterizada pela perda excessiva de proteína na urina, essa doença silenciosa pode levar à insuficiência renal crônica quando não tratada adequadamente. Mais comum em crianças de 2 a 6 anos, a condição também pode acometer adultos, especialmente aqueles com diabetes, lúpus ou outras doenças autoimunes. Por se tratar de uma condição grave, requer avaliação, tratamento e acompanhamento médico especializado.

A síndrome nefrótica é descrita por um conjunto de sintomas que indicam que os rins não estão filtrando o sangue corretamente. Como consequência, leva à perda excessiva da proteína na urina (proteinúria) e baixo nível de albumina no sangue (hipoalbuminemia). “O que torna esta síndrome particularmente preocupante é sua capacidade de progredir de forma silenciosa, levando os pacientes a procurarem ajuda médica apenas quando os sintomas já estão avançados”, explica o médico nefrologista David Saitovitch, chefe do Serviço de Nefrologia e coordenador do Grupo de Transplante Renal do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS).

De acordo com a literatura médica, a síndrome nefrótica pode ter causas primárias ou secundárias. As primárias incluem danos aos glomérulos dos rins, que podem ser provocados por doenças renais isoladas, a exemplo da glomeruloesclerose segmentar focal e da nefropatia membranosa. Já as secundárias estão relacionadas a condições sistêmicas que afetam outros órgãos ou o corpo todo, como diabetes, lúpus, infecções (HIV, hepatite B e C) e certos medicamentos. É possível, ainda, que a síndrome nefrótica seja causada por mutações genéticas hereditárias ou alergias graves.

A condição se manifesta através de uma série de sinais que não devem ser negligenciados. Os principais sintomas incluem inchaço (edema) persistente no rosto (principalmente ao redor dos olhos); inchaço nas pernas, tornozelos e pés, que não melhoram com repouso; urina espumosa ou com aparência leitosa, devido à alta concentração de proteínas; ganho de peso súbito; fadiga, fraqueza e perda de apetite. “Outros sinais podem incluir dor abdominal, falta de ar e sensação de mal-estar geral”, orienta o médico.

Diagnóstico precoce é fundamental

Com a presença dos sintomas, o diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais de urina e sangue, assim como biópsia renal e ultrassonografia dos rins. Em casos de suspeita de causas hereditárias, especialmente em recém-nascidos e bebês, testes genéticos podem ser solicitados pelo médico nefrologista. “A adoção de um protocolo de exames integrado permite não só um diagnóstico mais assertivo, mas também a identificação da causa subjacente, o que é fundamental para o tratamento direcionado”, explica o nefrologista David Saitovitch.

O tratamento pode incluir medicamentos imunossupressores e corticosteroides, além de controle rigoroso da pressão arterial e modificações dietéticas específicas. Cada paciente recebe um plano terapêutico personalizado, considerando a idade, causa da síndrome, quadro sintomatológico e resposta individual ao tratamento. De acordo com o médico nefrologista David Saitovitch, com o avanço das terapias e o diagnóstico precoce, o prognóstico da doença tem melhorado significativamente. Assim, crianças com a forma mais comum têm taxa de remissão de até 90% quando tratadas adequadamente. “Em adultos, embora o tratamento possa ser mais desafiador, a estabilização da função renal e o controle dos sintomas são objetivos alcançáveis na maioria dos casos”, finaliza.

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