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Ferramentas lúdicas e suporte familiar

Escrito por: Fernanda Ortiz

Para auxiliar o processo de aprendizagem/introdução de novos alimentos, a equipe multidisciplinar – em parceria da família – pode adotar técnicas de comunicação e estratégias educativas para ampliar a conexão com as crianças. Para a psicopedagoga Daniela Laubenstein, consultora especialista no PRATEA do HC-Unicamp, incluir as crianças no processo de compra e preparo das refeições, por exemplo, pode aumentar a familiaridade com os alimentos e reduzir a ansiedade e hipersensibilidade sensorial. “Além de visitas estruturadas ao mercado ou à feira, preferencialmente em horários tranquilos, permitir que a criança manuseie o alimento cru ou auxilie no preparo de pratos simples é um passo importante na aceitação alimentar”, avalia. Outra estratégia para reduzir a resistência é servir os alimentos de forma lúdica com formatos divertidos ou, até mesmo, utensílios de cozinha de brinquedo. Uma rotina visual ou escrita com os horários das refeições (com desenhos característicos de cada uma delas) também ajuda a manter a previsibilidade, fator importante para os pacientes no espectro.

Entre as estratégias educativas para promover a interação com novos alimentos, o cultivo de hortas é uma excelente opção. Além de estimular a motricidade fina e a socialização, a horta pode reduzir a seletividade alimentar ao promover o contato direto com alimentos frescos, estimulando seu consumo nas refeições. Nessa mesma linha, a professora Maria Teresa Fialho de Sousa Campos destaca a horta sensorial, projetada para propiciar bem-estar, estimular os sentidos (visão, tato, olfato, audição e paladar) e a aproximação das crianças com os alimentos cultivados – o que pode favorecer a relação com maior diversidade de alimentos e, gradualmente, sua aceitação.

“Nesses espaços planejados para desenvolver atividades de educação alimentar, a conexão com a horta e sua exploração sensorial, de acordo com o interesse da criança e principalmente com o seu envolvimento, promove um encontro com os alimentos da horta à mesa”, enfatiza. Outras sugestões são os jogos lúdicos, a exemplo de colagem e pintura com alimentos, jogo da memória de alimentos, roletas de cardápio, quebra-cabeça temático e tapete sensorial construído com alimentos diferentes, que tornam a interação e o momento de aprendizado divertido. Para os interessados, o e-book Educação Alimentar e Nutricional: Jogos Didáticos para Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), de autoria da professora Maria Teresa Fialho de Sousa Campos e demais colaboradores é de acesso gratuito pelo link bit.ly/4e3B7hs.

Suporte familiar – Pilar fundamental no desenvolvimento das crianças com TEA, a família é a base da segurança emocional, do afeto e da rotina necessários para o aprendizado. Assim, mais do que replicar as ferramentas terapêuticas, a família precisa ressignificar o momento da refeição para reduzir a sobrecarga sensorial. As recomendações incluem horários regulares; local e o assento fixos; evitar distrações com TV e demais eletrônicos; oferecer um ambiente tranquilo, acolhedor e sem conflitos; utilizar abordagens baseadas na aproximação sucessiva de alimentos; respeitar o tempo; celebrar pequenos avanços e não usar a comida como recompensa. Embora a seletividade seja frequentemente movida por questões sensoriais, motoras ou rituais, as crianças podem ser influenciadas pelo comportamento alimentar dos pais ou de um membro específico da família. “A modelagem de hábitos saudáveis e a exposição consistente a novos alimentos ajudam na dessensibilização e na ampliação do repertório alimentar, contribuindo para reduzir a resistência a novidades e, consequentemente, para um melhor bem-estar e estado nutricional”, conclui a nutricionista Helena Raposo. •

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