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Hábitos alimentares na prevenção do câncer de pâncreas

Escrito por: Elessandra Asevedo

O câncer de pâncreas mais comum é do tipo adenocarcinoma, correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), pelo fato de ser de difícil detecção e ter comportamento agressivo, a doença apresenta alta taxa de mortalidade. No Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma, a neoplasia ocupa a 14a posição entre os tipos de câncer mais frequentes.

Além de condições genéticas ou hereditárias, como síndrome de Lynch, câncer pancreático familiar e pancreatite hereditária, condições associadas ao comportamento aumentam o risco de desenvolver câncer de pâncreas. Por exemplo, obesidade, diabetes tipo 2, tabagismo, consumo excessivo de álcool e baixo consumo de fibras, frutas, vegetais e carnes magras fazem parte dessa lista.

Sintomas que merecem atenção

Por ser silencioso, o câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado tardiamente. A perda de peso não intencional é um dos primeiros sinais e pode indicar o início da caquexia – um estado de fraqueza e perda de peso severa, com redução acelerada da massa muscular. Outros sintomas incluem dor abdominal persistente, náuseas e vômitos, redução do apetite e fadiga, icterícia, fezes esbranquiçadas e urina escura.

Em caso de sinais persistentes, a avaliação médica e nutricional precoce é essencial. “A intervenção ainda na fase inicial dos sintomas pode preservar a massa muscular, além de melhorar a resposta ao tratamento e a qualidade de vida do paciente”, informa a nutricionista Ana Flávia Locatelli, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).

Prevenção pode começar no prato.

  1. Priorizar alimentos in natura e minimamente processados – Frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas devem ser a base das refeições. O ideal é garantir cerca de 30 gramas de fibras por dia com, pelo menos, cinco porções de frutas e hortaliças – aproximadamente 400 gramas. Esse padrão alimentar ajuda a controlar a inflamação e melhorar a sensibilidade à insulina.
  2. Manter o peso corporal adequado – A obesidade é um dos fatores de risco mais importantes para o câncer de pâncreas. O estilo de vida saudável contribui diretamente para o controle do peso e o melhor funcionamento do metabolismo.
  3. Reduzir ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcar – Fast food, frituras, carnes processadas, bebidas açucaradas e biscoitos recheados fornecem calorias em excesso, poucos nutrientes e aumentam a resistência à insulina – um dos gatilhos para inflamações no pâncreas.
  4. Consumir peixes e alimentos ricos em compostos anti-inflamatórios e antioxidantes – Peixes como salmão e sardinha, além de alimentos de origem vegetal, fornecem vitaminas, minerais e fitoquímicos que atuam de maneira sinérgica no controle do estresse oxidativo – mecanismo ligado ao câncer de pâncreas. Porém, a proteção vem de um padrão alimentar completo e não apenas de alimentos isolados.
  5. Evitar o consumo de álcool – A metabolização do etanol gera acetaldeído, substância tóxica e carcinogênica capaz de danificar as células pancreáticas. A ingestão frequente pode levar à pancreatite crônica, que, por sua vez, aumenta o risco de tumor. Sendo assim, não existe uma dose segura para o consumo, devido ao risco de câncer.

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