Pesquisas recentes comprovam que bebês amamentados têm menor incidência de infecções respiratórias, diarreia e doenças alérgicas. Segundo a OMS, o aleitamento prolongado reduz em 13% o risco de sobrepeso e obesidade, ajudando a combater doenças não transmissíveis causadas pelo excesso de peso. Além disso, diminui o risco de diabetes tipo 2 em 35%. A entidade garante, ainda, que a amamentação por seis meses ou mais está associada a uma redução de 19% no risco de leucemia infantil – em comparação com um período mais curto ou com crianças não amamentadas. Bebês amamentados também têm risco 60% menor de morrer por síndrome de morte súbita infantil, cujo efeito é ainda maior para crianças com aleitamento exclusivo. Além de proporcionar benefícios nutritivos e imunológicos, o aleitamento pode ajudar no desenvolvimento da respiração, deglutição, fala e mastigação.
Evidências científicas sugerem, ainda, que bebês amamentados no primeiro ano de vida têm menor recorrência de cárie dentária na primeira infância – que engloba crianças de até seis anos de idade – em relação aos que consomem fórmula infantil. Ao mamar, o bebê também diminui a exposição inadequada ao flúor e evita o consumo precoce de açúcares, impactando diretamente na prevenção da cárie. De acordo com o Ministério da Saúde, enquanto o amamentar promove a sucção correta – essencial para o desenvolvimento de hábitos saudáveis e a formação de uma mordida adequada –, a ausência do aleitamento ou o desmame precoce resultam na falta de estímulos para o desenvolvimento craniofacial. Ademais, a introdução de bicos artificiais, como mamadeiras e chupetas, movimenta uma musculatura diferente da correta e pode ocasionar hipertonia muscular e alterar a estrutura bucal. Já as mulheres que amamentam no período preconizado têm menos risco de diabetes tipo 2 (32%), câncer de mama (26%) e câncer de ovário (37%) em comparação com aquelas que não amamentam ou amamentam menos.
A ginecologista Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), acrescenta que o aleitamento materno também é importante pois, além de criar um vínculo com a criança, auxilia na formação da mama que começou na vida embrionária da mulher. “Amamentar ajuda, ainda, na recuperação do útero após o parto porque a sucção do bebê estimula a produção de oxitocina, um hormônio que ajuda o útero a contrair e voltar ao tamanho normal mais rapidamente, reduzindo o risco de hemorragia pós-parto e anemia”, ensina. Ao mesmo tempo, a amenorreia lactacional nos primeiros dias de amamentação dificulta o surgimento de uma nova gestação, pois a liberação de prolactina inibe a produção de hormônios que estimulam a ovulação e a menstruação.
Cuidados
A professora Eunice Francisca Martins assegura que são poucas as situações em que o aleitamento materno é contraindicado. Um exemplo são as mulheres HIV positivo, que não devem amamentar pelo risco (ainda que pequeno) de o vírus ser transmitido pelo leite. No caso de outras infecções que necessitam de uso de antibiótico pela mãe, a melhor opção é utilizar o medicamento compatível com a amamentação. “Algumas medicações psiquiátricas podem impedir a amamentação, mas os médicos podem avaliar ou trocar temporariamente a prescrição. Medicamentos para tratamento oncológico também podem levar à contraindicação”, orienta.
Do ponto de vista do bebê, a prematuridade pode ser um dos motivos para postergar o aleitamento materno direto da mama. No entanto, o bebê será estimulado na unidade neonatal pela fonoterapeuta até que sua maturidade permita sugar de forma efetiva e se alimentar direto na mama. Neste período, o bebê irá receber o leite materno por sonda. A pediatra Lélia Cardamone Gouvêa diz que cada gota do leite ordenhado ou do banco de leite oferecerá os benefícios capazes de promover sua recuperação, evitando a enterocolite necrotizante (ECN), que é uma das causas de mortalidade elevada nas unidades neonatais. “A introdução precoce de leite materno pode reduzir a incidência da ECN em até 50%, lembrando que a mortalidade pela doença varia entre 20% a 30% em casos graves, especialmente em prematuros de muito baixo peso. Com práticas de prevenção, como a oferta precoce de leite materno, essa mortalidade pode ser reduzida”, reforça.
Para o bebê conseguir retirar o leite da mama é necessário que consiga coordenar as etapas de sugar, respirar e deglutir. Essa ordem ajuda a garantir que consiga se alimentar de forma eficiente e segura, sem engasgar ou ficar sem respirar. “Um bebê prematuro consegue começar a sugar na mama por volta da 32ª a 34ª semanas de gestação, mas isso pode variar bastante dependendo do grau de prematuridade e do desenvolvimento individual”, acentua a professora Eunice Francisca Martins. Por isso, é importante que a equipe acompanhe de perto, pois alguns prematuros podem precisar de suporte adicional até estarem mais maduros para se alimentar por conta própria.

