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Câncer de mama

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Microbiota do tecido mamário em câncer de mama

Escrito por: Elessandra Asevedo

O câncer de mama é uma das neoplasias malignas mais comuns entre as mulheres em todo o mundo e continua sendo uma grande preocupação de saúde pública. De acordo com os dados do GLOBOCAN 2020 da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), mais de 2 milhões de novos casos foram diagnosticados globalmente. A incidência de câncer de mama continua a aumentar e estima-se que uma em cada 8 a 10 mulheres desenvolverá a neoplasia durante a vida.

Diversos fatores contribuem para o risco de câncer de mama e progressão da doença, incluindo idade, influências hormonais, predisposição genética, estilo de vida e exposições ambientais. Além desses fatores bem conhecidos, o microbioma humano emergiu recentemente como um potencial participante na biologia do câncer.

O microbioma refere-se às comunidades microbianas que habitam diferentes locais do corpo humano, onde influenciam a imunidade, o metabolismo e a regulação hormonal do hospedeiro. A disbiose (desequilíbrio) na composição microbiana tem sido implicada em diversas doenças crônicas, incluindo obesidade, diabetes, doenças autoimunes e o próprio câncer.

Estudos recentes sugerem que o tecido mamário abriga o próprio microbioma distinto, independentemente do intestino. Além disso, análises multiômicas demonstraram mudanças na composição entre tecidos malignos e tecidos normais adjacentes, sugerindo um papel potencial para alterações microbianas na carcinogênese. Como os dados ainda são limitados, pesquisadores turcos realizaram um estudo piloto para comparar os perfis da microbiota de tecidos tumorais e adjacentes normais da mama.

“Também coletamos amostras de fezes de mulheres turcas com câncer de mama em estágio inicial, utilizando um delineamento intrapaciente para minimizar a variabilidade interindividual”, explicam os autores. Para o estudo, foram selecionadas pacientes do sexo feminino com idade entre 30 e 75 anos, com diagnóstico histológico confirmado de câncer de mama invasivo em estágio I-II, que seriam submetidas à cirurgia conservadora da mama.

Alterações distintas

Os pesquisadores observaram diferenças significativas entre os tecidos tumorais e normais, com enriquecimento de táxons potencialmente pró-inflamatórios como Ruminococcus, Eubacterium, Actinobacteria (filo) e Stenotrophomonas nos tumores. Além disso, foi identificada depleção de gêneros potencialmente protetores, incluindo Lactobacillus, Bifidobacterium e Faecalibacterium.

Em contraste, os perfis da microbiota fecal foram relativamente homogêneos e não apresentaram correlação significativa com a composição do tecido mamário. “Este achado sugere que a disbiose no câncer de mama é um fenômeno localizado e não sistêmico”, acentuam.

De acordo com os autores, embora limitado, o trabalho fornece evidências de que alterações microbianas no tecido mamário podem estar associadas à biologia tumoral. Esses achados destacam, ainda, a necessidade de estudos multiômicos mais amplos para esclarecer os papéis funcionais do microbioma mamário e o potencial valor como biomarcador ou alvo terapêutico no câncer de mama. O estudo ‘Distinct breast tissue microbiota profiles in early-stage breast cancer: A prospective study in turkish womenfoi publicado em setembro de 2025 no periódico Life.

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