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O 2-fucosilactose protege bebês

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Componente protege os bebês de infecções

Escrito por: Elessandra Asevedo

O grupo de Pesquisa Analítica Aplica­da a Lipídios, Esteróis e Antioxidantes (APLE-A) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, estuda o leite materno há cerca de 15 anos, analisando quais componentes estão em maior concentração e geram mais benefícios. Ao analisar os carboidratos, o grupo observou que o 2-fucosilactose (2’-FL) estava presente em grande concentração. Este componente não tem como função somente ser fonte de energia, pois protege contra infecções. “O 2’-FL age como alimento para vírus e bactérias e se torna atrativo para esses microrganismos, impedindo que se fixem no organismo do bebê. Este carboidrato também alimenta as boas bactérias, tornando a microbiota mais saudável. Além disso, ajuda a amadurecer as células intestinais e modula a resposta imunológica da criança”, afirma o professor doutor Oscar de Oliveira Santos Júnior, pesquisador do Departamento de Química da UEM e responsável pelo grupo.

O 2-fucosilactose é encontrado naturalmente apenas no leite humano em grandes quantidades. Outros mamíferos, como vacas ou cabras, produzem tipos diferentes de açúcares no leite e, geralmente, em quantidades muito menores. No entanto, nem todo leite humano possui este componente. “A presença desse oligossacarídeo depende de um fator genético da mãe e da presença do gene FUT2, chamado de gene secretor. Aproximadamente 70% das mulheres no mundo possuem esse gene ativo e, por isso, produzem ­naturalmente 2’-FL no leite”, revela o professor. As 30% restantes não produzem o composto, mas, ainda assim, o leite dessas mulheres é rico em outros oligossacarídeos com funções semelhantes.

Atualmente, graças à biotecnologia, o 2’-FL pode ser produzido em laboratório por fermentação com bactérias geneticamente modificadas, como E. coli especiais. Dessa maneira, passou a ser adicionado a algumas fórmulas infantis para tentar imitar os benefícios do leite materno, principalmente para proteger contra infecções e fortalecer o intestino do bebê. Essas fórmulas com 2’-FL já são aprovadas por órgãos reguladores no Brasil (Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa), na Europa (European Food Safety Authority – EFSA) e pela Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos. No entanto, o custo das fórmulas infantis com esse oligossacarídeo costuma ser mais alto do que as fórmulas tradicionais sem esse composto, principalmente porque o 2’-FL é produzido por biotecnologia – o que eleva o valor final.

Insubstituível

O pesquisador relata que estudos mostram que o 2’-FL sintético tem efeitos comparáveis ao natural em vários aspectos, mas ainda não iguais ao conjunto completo do leite humano. Pesquisas clínicas com bebês alimentados com essas fórmulas mostram menor incidência de infecções respiratórias e gastrointestinais, respostas imunes mais próximas às de bebês amamentados e microbiota intestinal mais semelhante à dos lactentes que recebem leite materno. Em vários estudos de coorte e ensaios clínicos controlados, os efeitos do 2’-FL sintético também foram estatisticamente significativos. No entanto, o leite materno contém mais de 150 tipos de oligossacarídeos, enquanto a fórmula (mesmo com 2’-FL) possui apenas um ou dois. “Sendo assim, o 2’-FL sintético se mostra seguro, eficaz e ajuda a reduzir algumas diferenças entre fórmula e leite humano, mas o aleitamento materno ainda é insubstituível”, assegura

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