O aleitamento materno está associado a melhores resultados em testes de desenvolvimento cognitivo e habilidades sociais na infância, graças aos ácidos graxos essenciais e a outros nutrientes presentes no leite. Segundo as evidências, crianças que mamaram por mais de seis meses tiveram melhores resultados cognitivos nos primeiros anos de vida, maiores níveis de quociente de inteligência (QI) na infância, melhores notas em testes educacionais na adolescência e maior média salarial na vida adulta. Ao longo da vida, esses indivíduos também apresentaram autorregulação mais elaborada e menos problemas de conduta e psicopatologias frente às exigências sociais. “Esses resultados ligados ao aleitamento materno exclusivo são o reflexo do amplo desenvolvimento de vias cerebrais associadas, principalmente à função de linguagem, memória verbal e tomada de decisões”, ressalta a pediatra Lélia Cardamone Gouvêa.
As bases biológicas para esses efeitos estão centradas nas propriedades nutricionais do leite materno, rico em ácidos graxos poli-insaturados, glicocorticoides, vitaminas, minerais e micronutrientes, e também ao vínculo mãe-bebê que a amamentação proporciona. A cada mamada, o lactente tem um importante contato pele a pele criando um estímulo sensorial e, ao mamar, tem o contato olho no olho e a interação com a mãe. Já a melatonina, um hormônio produzido pela glândula pineal na mãe e que passa ao leite materno especialmente durante a noite, ajuda a regular o ciclo sono-vigília do bebê promovendo um sono mais tranquilo e consistente. No primeiro mês, a transferência passiva de melatonina pelo leite contribui para o desenvolvimento do ritmo circadiano do bebê, facilitando a iniciação e manutenção do sono, além de influenciar positivamente o desenvolvimento neurológico. Essa é considerada outra importante vantagem dos bebês amamentados, pois recebem a melatonina materna até que consigam produzir sua própria. A melatonina também possui propriedades antioxidantes e moduladoras do sistema imunológico, ajudando a proteger o bebê contra o estresse oxidativo e a inflamação excessiva.
