Selo de 25 ano - Revista Super Saudável
Disbiose intestinal

• Matérias da Edição

| Microbiota & Probióticos

Disbiose provoca um efeito sistêmico

Escrito por: Adenilde Bringel

Com as mudanças na composição e diversidade das bactérias intestinais, consequentemente há baixas concentrações de metabólicos secundários e a mulher começa a experienciar uma situação de disbiose intestinal, o que poderá levar a sintomas como excesso de gases e motilidade intestinal comprometida – que fazem parte dos 103 sintomas já identificados. No artigo ‘Menopausal changes in the microbiome – A review focused on the genitourinary microbiome’, os cientistas alegam que as alterações pós-menopáusicas no microbioma intestinal também estão associadas ao aumento dos níveis de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e sulfeto de hidrogênio, o que influencia a estrutura e as funções vaginais, contribuindo para o surgimento da síndrome geniturinária da menopausa.

A professora Renata Guerra de Sá Cota afirma que, na coorte de mulheres que acompanha, em diversos estágios do envelhecimento foi perceptível verificar que o quadro de disbiose ia aumentando. Essa disbiose intestinal leva à produção de mais metabólicos pró-inflamatórios, e isso está associado a muitas queixas intestinais. O grupo também identificou certa correlação com relatos de intolerâncias à lactose e ao glúten nas participantes do estudo. “A intolerância é um desfecho terciário da disbiose – que é o desfecho primário –, enquanto o secundário é a inflamação. Portanto, a conclusão é que a disbiose leva a um efeito sistêmico. E, aparentemente, essa inflamação ocorre porque a microbiota intestinal mudou em resposta à queda do estrógeno”, acrescenta.

Além das alterações metabólicas, cresce o interesse científico pelo eixo intestino-cérebro, um sistema de comunicação bidirecional que conecta a microbiota intestinal ao sistema nervoso central. Estudos mostram que diversas bactérias intestinais são capazes de produzir ou modular metabólitos neuroativos, como o ácido gama-aminobutírico (GABA), principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central envolvido na regulação de excitabilidade neuronal, relaxamento, ansiedade e qualidade do sono. Da mesma forma, embora aproximadamente 90% da serotonina do organismo seja produzida no trato gastrointestinal – principalmente por células especializadas da mucosa intestinal – a microbiota participa da regulação desse processo por meio do metabolismo do triptofano e de outros compostos bioativos.

Segundo a professora Renata Guerra de Sá Cota, a queda dos níveis de estradiol promove alterações sistêmicas que também afetam a microbiota intestinal, podendo modificar essa comunicação entre intestino e cérebro. “Essas alterações podem contribuir para o surgimento ou agravamento de sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia, dificuldade de concentração e a chamada névoa menopausal”, explica. No entanto, os pesquisadores ressaltam que esses mecanismos ainda estão sendo investigados e, provavelmente, resultam da interação entre fatores hormonais, imunológicos, metabólicos e microbianos.

DIREITOS RESERVADOS ®
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Companhia de Imprensa e da Yakult.

• Posts Recentes

• Mais sobre Matérias da Edição