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Distúrbios osteomusculares

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LER/DORT não correspondem a uma única doença

Escrito por: Elessandra Asevedo

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são as condições que seguem entre as principais causas de afastamento temporário do trabalho no Brasil. As LER/DORT não correspondem a uma doença única, mas a um conjunto de síndromes que afeta músculos, nervos e tendões, principalmente nos membros superiores e na coluna vertebral.

Entre os sintomas estão a dor persistente que piora durante o trabalho e melhora com o repouso, fadiga muscular precoce, formigamentos, dormências, inchaços leves e perda de força. Embora a sigla LER ainda seja amplamente utilizada, o termo DORT é mais abrangente. A sigla está relacionada a distúrbios osteomusculares causados por movimentos repetitivos, mas também fatores como posturas inadequadas mantidas por longos períodos, uso de força excessiva, vibração e ritmo acelerado de trabalho.

Muitas doenças estão relacionadas às LER/DORT. Entre elas estão as tendinites, que são inflamações nos tendões comuns em ombros, cotovelos, punhos e mãos. Outro exemplo é a síndrome do túnel do carpo, caracterizada pela compressão de um nervo no punho que causa dor e dormência. Além disso, também estão na lista as bursites – inflamações das bursas que atingem principalmente os ombros – e as cervicalgias e lombalgias, que correspondem a dores musculares na região da coluna cervical e lombar.

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o grupo de trabalhadores da área de serviços, vendedores do comércio em lojas e mercados apresentam 30,6% dos casos de LER/DORT. Já o grupo de trabalhadores da produção de bens e serviços industriais representam 30,2% dos casos. O médico ortopedista José Luís Zabeu, do Vera Cruz Hospital, em Campinas, explica que qualquer atividade que sobrecarregue o sistema musculoesquelético de forma contínua representa risco.

“No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram alta incidência de distúrbios osteomusculares em profissões que envolvem repetição, posturas inadequadas ou força excessiva”, afirma o profissional. Entre os exemplos estão digitadores, trabalhadores de linha de produção, profissionais da limpeza, operadores de caixa, costureiros e teleoperadores.

Em busca da solução

O diagnóstico desses distúrbios osteomusculares é essencialmente clínico, baseado na história ocupacional e no exame físico. Análises de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, auxiliam na exclusão de outras doenças, mas não definem isoladamente a qualificação da patologia.

O tratamento envolve controle da dor com medicação, fisioterapia, reabilitação funcional, fortalecimento muscular e adequações no ambiente de trabalho. E a ergonomia tem papel central nesse processo, incluindo ajustes de mobiliário, equipamentos de apoio, organização de tarefas e análise das jornadas.

“Quando o distúrbio impede o exercício da função, pode haver afastamento temporário do trabalho para tratamento. Sem mudanças nas condições laborais, há risco de recidiva e agravamento”, informa o médico. Em casos crônicos podem ocorrer limitações permanentes e até aposentadoria por invalidez, especialmente quando o tratamento é tardio ou ineficaz.

Hábitos fora do ambiente do trabalho também influenciam. Por exemplo, posturas inadequadas em casa, uso excessivo de celular, sedentarismo, sobrepeso, sono irregular e estresse contribuem para o surgimento ou manutenção das lesões. Em resumo, tudo o que aumenta o estresse físico ou emocional predispõe às LER/DORT.

Cuidados diários

O uso intenso de computadores e, principalmente, de celulares tem ampliado os casos. A cabeça inclinada sobre o celular sobrecarrega a coluna cervical. A digitação constante com os polegares favorece tendinites. O ideal é manter o aparelho na altura dos olhos, priorizar o computador para textos longos e fazer pausas frequentes.

Alongamentos e ginástica laboral também são aliados importantes. “As pausas permitem a recuperação de músculos e tendões e os alongamentos devem durar de 20 a 30 segundos, sem provocar dor. Programas de ginástica laboral, orientados por fisioterapeutas, são excelentes ferramentas preventivas”, orienta o ortopedista. Pequenas mudanças também podem gerar grandes impactos e medidas simples reduzem significativamente os riscos.

  • Colocar o monitor na altura dos olhos
  • Manter cotovelos e pés apoiados
  • Fazer pausas de 5 a 10 minutos por hora
  • Alternar tarefas
  • Manter hidratação regular
  • Evitar o uso do celular nas pausas
  • Utilizar ferramentas que reduzam o esforço físico

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