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Pontuações BSFS

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| Artigo Cientifico

Análise estatística

Escrito por: Satoshi Tsujibe1, Agata Gawad2, Akira Shigehisa1, Kazunori Matsuda1, Junji Fujimoto1 e Takuya Takahashi2 1Yakult Central Institute,

A consistência das fezes e o teor de água foram variáveis contínuas com distribuição normal. Por isso, foram analisados utilizando um modelo linear de efeitos mistos (LMM, na sigla em inglês). As pontuações BSFS dos participantes foram convertidas em contagem de fezes normais (BSFS 3, 4 e 5) e anormais (demais categorias da BSFS) a cada duas semanas e analisadas utilizando a generalização LMM (GLMM, na sigla em inglês) com a família binomial. Adicionalmente, as pontuações BSFS avaliadas pelos especialistas foram analisadas utilizando modelo misto de ligação cumulativa (CLMM, na sigla em inglês). Na população com intenção de tratar (ITT), três participantes não entregaram as fezes no período basal. Os dados perdidos do período basal foram computados pela função ‘lme_imp’ do pacote da linguagem R ‘JointAI’. As análises estatísticas foram realizadas no ambiente de computação estatística R (versão 3.6.2). Os pacotes R ‘lme4’ e ‘GLMMadaptive’ foram utilizados para os modelos lineares mistos (LMM) e generalizados mistos (GLMM) com distribuição binomial, respectivamente. O pacote R ‘ordinal’ foi utilizado para o modelo linear misto de distribuição contínua (CLMM).

Na análise do desfecho primário, os valores TAXT não agregados e os agregados médios após o período basal foram tratados como respostas variáveis para as análises a priori e post hoc, respectivamente. Na análise do desfecho secundário, o teor médio agregado de água nas fezes pós-período basal foi considerado uma resposta variável. Para a avaliação dos participantes nas pontuação BSFS, a matriz de fezes normais e anormais pós-período basal foi considerada uma resposta variável. Em uma análise adicional, as pontuações BSFS feita pelos especialistas pós-período basal foram utilizadas como resposta variável. Nas análises de modelo mencionadas acima, os valores pós-período basal de cada desfecho foram tratados como resposta variável e o grupo de tratamento (LcS vs placebo) foi considerado variável de efeito fixo para estimar o efeito geral do tratamento – ou seja, diferença média após período basal entre os grupos – do LcS em cada desfecho.

Para ajustar a influência dos valores do período basal foram incluídos valores médios basais agregados do TAXT, teor de água nas fezes e pontuações BSFS nos modelos relevantes como efeitos fixos. Para as pontuações BSFS dos participantes, a proporção de fezes normais no período basal foi tratada como efeito fixo. As seguintes variáveis também foram incluídas como efeitos fixos em cada modelo para ajustar a influência dessas variáveis como resposta variável: local (Antuérpia vs Mechelen), período (4 semanas vs 8 semanas), sexo (masculino vs feminino), idade e IMC. Em relação às quatro categorias variáveis (grupo de tratamento, período, local e sexo),  ‘placebo’, ‘4 semanas’, ‘Antuérpia’ e ‘feminino’ foram os níveis de referência. A informação dos participantes, ou seja, a identidade (ID) do participante foi tratada como um efeito aleatório (intercepto aleatório). Os modelos foram ajustados por meio de máxima verossimilhança restrita. Foram calculados intervalos de confiança bilaterais de 95%, valores p bilaterais, efeitos fixos estimados e variâncias de efeitos aleatórios. Os valores p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos e valores p<0,1 foram considerados uma tendência estatística. Essas configurações foram predefinidas antes do bloqueio do banco de dados.

  • Características descritivas – Após avaliar a elegibilidade dos 106 participantes, 65 foram alocados aleatoriamente para o grupo LcS ou grupo placebo. Um participante retirou o consentimento de participação antes da intervenção e 64 consumiram as bebidas teste diariamente por oito semanas e completaram o estudo. Todos os dados coletados dos 64 participantes foram utilizados para análise estatística e para avaliar o efeito de tratamento ITT na população, apesar de serem reportados durante o estudo seis grandes desvios do protocolo (três relacionados à falha na coleta das fezes e três envolvendo uso de medicamentos proibidos, ambos no período basal). Todos os eventos adversos (AEs, na sigla em inglês) foram relatados ao longo deste presente estudo, e um pesquisador nos locais de estudo avaliou o relacionamento entre cada AE e a ingestão da bebida teste. A maioria dos AEs foi considerada improvável de estar relacionada à intervenção e, portanto, a ingestão diária da bebida teste de oito semanas foi considerada segura. A distribuição da idade, IMC, sexo e número de participantes em cada local foi semelhante entre os grupos. O grupo predominante deste estudo consistia em participantes do gênero feminino (57/64), e está de acordo com descobertas anteriores que verificaram que a constipação ocorre frequentemente em mulheres.
  • Mensuração da consistência das fezes utilizando a instrumentação TAXT – A análise a priori utilizando os resultados não agregados do TAXT demonstrou que os valores pós-período basal (4 semanas ou 8 semanas) no grupo LcS tenderam a ser menores do que aqueles do grupo placebo (variável do grupo de tratamento, estimado = -0,33 [-0,71, 0,06], p=0.097). A análise indicou que a variância inexplicada foi consideravelmente alta [DP (intraparticipante): 0.74 ln g, DP (entre participantes): 0.66 ln g], e pode-se considerar que resíduos de dieta ou materiais de comida (por exemplo, fibra alimentar) afetaram a variação da consistência das fezes. Para restringir a larga variação dos valores de TAXT entre os participantes, foi conduzida uma análise post hoc utilizando valores médios agregados do TAXT por participante em cada período. A análise post hoc mostrou que os valores de TAXT pós-período basal no grupo LcS tendenciou a ser menor do que o grupo placebo (variável do grupo de tratamento estimado = -0.39 [-0.79, 0.00], p=0.052).
  • Teor de água nas fezes – A quantidade de água impacta muito na consistência das fezes. Foi investigado o efeito do LcS ingerido no teor de água das fezes pós-período basal. A análise de LMM indicou que a diferença entre os dois grupos não foi estatisticamente significativa (variável do grupo de tratamento, estimado = 1.71 [-0.35, 3.77], p=0.101).
  • Pontuação BSFS avaliado por participante e especialistas – No critério de Roma IV, BSFS 1 e 2 são definidos como ‘constipação’; BSFS 6 e 7 como ‘diarreia’. BSFS 3, 4 e 5 são definidos como ‘normal’. Foi categorizado pela avaliação do participante como fezes normais (BSFS 3, 4 e 5) e fezes anormais (BSFS 1, 2, 6 e 7) e, em seguida, foi analisada a matriz de fezes normais para fezes anormais utilizando GLMM com família binomial. A análise GLMM demonstrou que a proporção de fezes normais no grupo LcS tendeu a ser mais alta do que no grupo placebo (variável do grupo de tratamento, razão de possibilidade (OR, na sigla em inglês) = 1.62 [0.93, 2.84], p=0.091). As pontuações BSFS avaliadas por especialistas foram consideradas como análise adicional. Diferentemente da análise dos participantes pela pontuação BSFS, a avaliação pelos especialistas foi limitada apenas à coleta das fezes e analisada utilizando a CLMM. Esta análise indicou que a probabilidade de ter uma alta pontuação de BSFS tendeu a ser mais alta no grupo LcS do que no grupo placebo (variável do grupo de tratamento, OR = 1.83 [0.94, 3.58], p=0.076).
  • Análise de subgrupo direcionada aos participantes que realmente produzam fezes endurecidas no período basal – Embora tenham sido recrutados participantes que produzam com frequência fezes endurecidas baseadas no resultado da avaliação dos participantes pela pontuação BSFS no período da triagem (BSFS ½ proporção de ≥50%), muitas fezes normais foram observadas no período basal de ambos os grupos. Portanto, foram selecionados participantes que, de fato, produziram fezes endurecidas e foi conduzida uma análise exploratória do subgrupo. A maioria das amostras com pontuações BSFS de 1 e 2 excedeu o valor TAXT de 4.5. Os critérios de Roma IV consideram BSFS 1 e 2 como ‘fezes endurecidas’ e, portanto, foi definido um valor médio de TAXT ≥ 4.5 no período basal como ‘fezes endurecidas reais’ na análise do subgrupo. O subgrupo baseado no valor médio TAXT acima de 4.5 no período basal incluiu 32 participantes (Grupo LcS: 12, grupo placebo: 20). A análise do subgrupo mostrou que o valor médio TAXT pós-período basal no grupo LcS foi significativamente mais baixo do que no grupo placebo (variável do grupo tratamento, estimado = -0.74 [-3.31, -0.16], p= 0.014). O teor de água nas fezes pós-período basal foi significativamente maior no grupo LcS do que no grupo placebo (variável do grupo tratamento, estimado = 4.38 [1.86, 7.81] p=0.003). Além disso, a análise da pontuação BSFS feita pelos participantes demonstrou que a proporção de fezes normais pós-período basal foi maior no grupo LcS do que no grupo placebo (variável do grupo tratamento, OR = 1.65 [0.75, 3.63, p=0.213). A análise da pontuação BSFS do subgrupo realizadas pelos especialistas mostrou que a probabilidade de ter pontuações BSFS mais altas tendeu a ser maior no grupo LcS do que no grupo placebo (variável do grupo de tratamento, OR = 2.67 [0.91, 7.87], p=0.074).

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