Para testar o efeito de cepas probióticas na DA, a dermatologista Flavia Alvim Sant’Anna Addor desenvolveu um estudo clínico com 56 pacientes com dermatite atópica, com idades entre 6 meses e 12 anos. O estudo unicêntrico, aberto e não comparativo foi realizado no Centro de Pesquisa Clínica do Grupo Medcin com a avaliação do protocolo pelo Comitê de Ética da Universidade São Francisco, em São Paulo. Os pacientes estavam em tratamento clínico com corticoides tópicos e anti-histamínicos orais e não tinham infecção secundária no momento da inclusão. “A DA é uma das primeiras manifestações alérgicas da marcha atópica e pode aparecer entre dois e três meses. Depois, a criança vai tendo outras doenças alérgicas como rinite e asma”, afirma.
A avaliação da gravidade da dermatite atópica foi realizada utilizando o Scoring Atopic Dermatitis –SCORAD14 no início e no fim do estudo, assim como avaliação clínica dos sinais individualmente. Também foi aplicado um questionário para acessar a presença de prurido e alterações do sono causados pela doença. Depois, as crianças ingeriram, uma vez por dia, um sachê de 1g com uma associação das cepas probióticas Lactobacillus acidophilus NCFM®, L. rhamnosus HN001®, L. paracasei Lpc-37® e Bifidobacterium lactis HN019® – em concentração de 109 unidades formadoras de colônias (UFC). O composto probiótico foi ingerido imediatamente após diluição em até 200ml de água fria ou gelada, por 12 semanas, juntamente com o tratamento para controlar a DA.
Os pacientes retornaram em 30, 60 e 90 dias para acompanhamento e investigação de possíveis reações adversas. Em 90 dias foram realizadas avaliação clínica SCORAD e avaliação de sinais e sintomas clínicos.
De acordo com a médica Flavia Alvim Sant’Anna Addor, a utilização oral de algumas cepas de bactérias dos gêneros lactobacilos e bifidobactérias tem sido estudada com resultados clínicos positivos em doenças alérgicas e na Dermatologia, particularmente na DA – tanto para fins profiláticos como para melhora da sintomatologia.
O experimento visou avaliar se as quatro cepas usadas no estudo, que colonizam tanto o intestino delgado como o intestino grosso promovendo uma melhora do microbioma de todo o trato gastrointestinal, poderiam impactar imunologicamente nas crianças com DA. “Como há diferentes respostas de acordo com a espécie e cepa estudadas, há uma variação de resultados na literatura. Entretanto, as associações parecem ter um resultado mais favorável, possivelmente pelo sinergismo entre as bactérias”, relata.
Resultados
A tolerabilidade do probiótico foi investigada através de diário, entrevista durante as avaliações médicas mensais, inquérito da presença ou ausência de sintomas gastrointestinais – flatulência, diarreia e dor abdominal – e cutâneos, como piora das lesões da DA ou aparecimento de outro quadro cutâneo. Além disso, os responsáveis pelas crianças informaram se a intensidade seria classificada como leve, moderada e intensa. O resultado do experimento mostrou uma clara melhora de todos os parâmetros clínicos da dermatite atópica de maneira significante no grupo avaliado, incluindo o SCORAD.
“O único parâmetro com melhora não estatisticamente significante foi a exsudação/formação de crostas, o que seria esperado neste grupo porque não houve um número elevado de pacientes com agudização da doença. Mas as crianças tiveram uma melhora importante”, relata a médica Flavia Alvim Sant’Anna Addor. Apesar de a avaliação no estudo ter sido apenas clínica e não laboratorial foi possível observar uma redução dos sintomas e sinais da dermatite atópica, medidas através de um score usado internacionalmente que avalia prurido, lesões eczematosas e outros sinais. O estudo ‘Melhora clínica da dermatite atópica em crianças de 6 meses a 12 anos com o uso oral de uma associação de probióticos‘ foi publicado em 2016 na revista oficial da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

