O diagnóstico da dermatite atópica é clínico, baseado na anamnese e no exame físico. Durante a consulta são avaliados a intensidade da coceira, o padrão e a intensidade das lesões cutâneas (eritema, descamação, crostas) e a distribuição e extensão das lesões pelo corpo, assim como sinais clínicos associados. Além disso, é importante excluir outras condições eritematosas e eczematosas, a exemplo de eczema de contato, psoríase, dermatite seborreica, escabiose e rosácea. O diagnóstico também deve considerar o histórico familiar de alergias, como asma ou rinite. Testes adicionais, como IgE sérica e testes cutâneos de alergia não são necessários, mas podem ser utilizados para identificar alérgenos específicos.
O diagnóstico é baseado nos critérios clínicos de Hanifin e Rajka, considerados ‘padrão ouro’ devido à abrangência e facilidade de uso. “Trata-se de uma combinação de, no mínimo, três critérios maiores que incluem prurido, distribuição de lesões, histórico familiar de atopia e quadro recorrente. Além disso, há três ou mais critérios menores, entre os quais pele seca, manchas claras na pele, queratose pilar e palidez facial”, detalha a dermatologista Cristina Marta Maria Laczynski.
A partir do diagnóstico da dermatite atópica, a gravidade é avaliada por meio de duas ferramentas clínicas: o SCORing Atopic Dermatitis (SCORAD), que considera a extensão e intensidade das lesões, e a avaliação subjetiva de sintomas como prurido e qualidade do sono; e o Eczema Area and Severity Index (EASI), que analisa a intensidade dos sinais clínicos e da área corporal afetada. Ademais, ferramentas de autoavaliação como o Patient-Oriented Eczema Measure (POEM) pode ser uma opção mais rápida para uso diário, entretanto, menos precisa.
O dermatologista Roberto Takaoka ressalta que a dermatite atópica é classificada como leve, moderada ou grave dependendo da intensidade da inflamação, extensão das lesões, intensidade do prurido e impacto na qualidade de vida. “A avaliação da gravidade é fundamental para a escolha do tratamento e para um monitoramento mais eficaz”, enfatiza. Além do atendimento com dermatologista, o tratamento multidisciplinar com pediatra, nutricionista, alergologista, imunologista, psicólogo e, em alguns casos, oftalmologista, pneumologista e otorrinolaringologista – a depender da manifestação –, garante a integralidade do cuidado do paciente e da família.
Abordagens
O tratamento segue uma abordagem variada e gradual, adaptada para cada paciente de acordo com quadro clínico e gravidade da doença. Realizado exclusivamente com orientação médica, tem por objetivo reduzir sintomas, prevenir exacerbações, tratar infecções (quando presentes) e restaurar a integridade da pele. A pediatra Vania Oliveira de Carvalho, coordenadora do curso de especialização em Dermatologia Pediátrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e secretária do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), comenta que, na maioria dos pacientes com quadro leve, as metas são alcançadas apenas com terapias tópicas, hidratação da pele e gerenciamento de gatilhos. Nas crises, é necessário o uso de inibidores de calcineurina tópicos e corticoides. Para casos moderados ou graves, entretanto, o cuidado é desafiador e envolve medicamentos de uso sistêmico.

