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Diagnóstico da dermatite atópica

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Tratamento depende da gravidade do quadro

Escrito por: Fernanda Ortiz

O diagnóstico da dermatite atópica é clínico, baseado na anamnese e no exame físico. Durante a consulta são avaliados a intensidade da coceira, o padrão e a intensidade das lesões cutâneas (eritema, descamação, crostas) e a distribuição e extensão das lesões pelo corpo, assim como sinais clínicos associados. Além disso, é importante excluir outras condições eritematosas e eczematosas, a exemplo de eczema de contato, psoríase, dermatite seborreica, escabiose e rosácea. O diagnóstico também deve considerar o histórico familiar de alergias, como asma ou rinite. Testes adicionais, como IgE sérica e testes cutâneos de alergia não são necessários, mas podem ser utilizados para identificar alérgenos específicos.

O diagnóstico é baseado nos critérios clínicos de Hanifin e ­Rajka, considerados ‘padrão ouro’ devido à abrangência e facilidade de uso. ­“Trata­-se­ de uma combinação de, no mínimo, três critérios maiores que incluem prurido, distribuição de lesões, histórico familiar de atopia e quadro recorrente. Além disso, há três ou mais critérios menores, entre os quais pele seca, manchas claras na pele, queratose pilar e palidez facial”, detalha a dermatologista Cristina Marta Maria Laczynski.

A partir do diagnóstico da dermatite atópica, a ­gravidade é avaliada por meio de duas ferramentas clínicas: o SCORing Atopic Dermatitis (SCORAD), que considera a extensão e intensidade das lesões, e a avaliação subjetiva de sintomas como prurido e qualidade do sono; e o ­Eczema Area and Severity ­Index (EASI), que analisa a intensidade dos sinais clínicos e da área corporal afetada. Ademais, ferramentas de autoavaliação como o ­Patient-Oriented Eczema ­Measure (POEM) pode ser uma opção mais rápida para uso diário, entretanto, menos precisa.

O dermatologista Roberto Takaoka ressalta que a dermatite atópica é classificada como leve, moderada ou grave dependendo da intensidade da inflamação, extensão das lesões, intensidade do prurido e impacto na qualidade de vida. “A avaliação da gravidade é fundamental para a escolha do tratamento e para um monitoramento mais eficaz”, enfatiza. Além do atendimento com dermatologista, o tratamento multidisciplinar com pediatra, nutricionista, alergologista, imunologista, psicólogo e, em alguns casos, oftalmologista, pneumologista e otorrinolaringologista – a depender da manifestação –, garante a integralidade do cuidado do paciente e da família.

Abordagens

O tratamento segue uma abordagem variada e gradual, adaptada para cada paciente de acordo com quadro clínico e gravidade da doença. Realizado exclusivamente com orientação médica, tem por objetivo reduzir sintomas, prevenir exacerbações, tratar infecções (quando presentes) e restaurar a integridade da pele. A pediatra Vania Oliveira de Carvalho, coordenadora do curso de especialização em Dermatologia Pediátrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e secretária do Departamento Científico de Dermatologia da ­Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), comenta que, na maioria dos pacientes com quadro leve, as metas são alcançadas apenas com terapias tópicas, hidratação da pele e gerenciamento de gatilhos. Nas crises, é necessário o uso de inibidores de calcineurina tópicos e corticoides. Para casos moderados ou graves, entretanto, o cuidado é desafiador e envolve medicamentos de uso sistêmico.

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