O estudo observacional ‘The human milk microbiota is modulated by maternal diet’, com participação da pesquisadora Marina Padilha e da professora doutora Carla Taddei, do Laboratório de Microbioma Humano do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), analisou amostras de 94 mulheres brasileiras. As análises identificaram três gêneros presentes em todas as amostras – Streptococcus, Staphylococcus e Corynebacterium. Além disso, 10 gêneros estavam presentes em pelo menos 90% das amostras, que eram Veillonella, Rubrobacter, Pseudomonas, Halomonas, Trabulsiella, Chelonobacter, Acinetobacter, Actinomyces, Rothia e Lactobacillus. Já a Bifidobacterium esteve presente em 78% das amostras e em proporção média de 1%. “Ao explorar os resultados, identificamos dois perfis (clusters) de microbiota de leite materno. Um cluster marcado pela predominância de Staphylococcus e outro por Streptococcus”, relata a nutricionista Marina Padilha. Ambos os gêneros bacterianos foram encontrados em 100% das amostras e o que mudava era apenas a proporção entre ambos nas mulheres avaliadas.
Neste estudo, foi identificado que a ingestão materna de vitamina C, pectina e licopeno durante a gestação estava associada aos clusters de leite materno, sendo que a ingestão destes nutrientes foi maior no cluster com predominância de Staphylococcus. A nutricionista Marina Padilha ressalta que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível fazer suposições de causa e efeito. Entretanto, os resultados podem guiar os pesquisadores para que prossigam com as investigações. “Investigar a microbiota materna antes e após a intervenção com o prebiótico complementaria o meu estudo inicial no sentido de avaliar se mudanças na microbiota intestinal da mãe explicariam mudanças na microbiota do leite materno. Gostaríamos de verificar se certas bactérias intestinais migraram para o leite via eixo intestino-mama”, adianta.
