Um estudo prospectivo publicado recentemente mostra que padrões alimentares saudáveis estão relacionados ao aumento da expectativa de vida, independentemente da predisposição genética. Ao investigar a interação entre dieta e genes ligados à longevidade, os pesquisadores observaram que uma alimentação rica em alimentos naturais e com menor consumo de ultraprocessados pode reduzir riscos genéticos. Esses hábitos também podem potencializar efeitos positivos e reforçar o papel central do estilo de vida no envelhecimento saudável.
A pesquisa analisou dados de uma coorte populacional com 103.649 participantes – com idade média de 58,3 anos – ao longo de 10 anos. Os participantes, que tiveram duas ou mais avaliações dietéticas, não apresentavam histórico de doenças cardiovasculares ou câncer. “O foco central do estudo foi investigar como diferentes padrões alimentares interagem com os chamados “genes da longevidade”. Ou seja, aqueles relacionados a processos biológicos como regulação metabólica, resposta ao estresse celular e envelhecimento”, descrevem os autores.
O estudo considerou diferentes padrões alimentares saudáveis já reconhecidos. Dentre eles estavam a dieta mediterrânea; o Healthy Plant-Based Diet Index, que prioriza alimentos vegetais integrais e minimiza ultraprocessados e o Alternative Healthy Eating Index, que avalia a qualidade geral da alimentação com base na prevenção de doenças crônicas. Além disso, constavam o Empirical Dietary Inflammatory Pattern, que mede o potencial inflamatório da dieta; e o padrão voltado à redução do risco de diabetes tipo 2, que enfatiza menor consumo de açúcar e carnes processadas e maior ingestão de fibras e gorduras saudáveis.
Achados
A análise dos dados identificou que indivíduos com maior adesão a dietas consideradas saudáveis apresentaram maior expectativa de vida, independentemente do perfil genético. Essas dietas são ricas em frutas, vegetais, grãos integrais, gorduras boas e baixo consumo de ultraprocessados. “O ganho estimado variou entre 1,9 e 3 anos de vida para homens e de 1,5 a 2,3 para mulheres”, citam os autores.
De acordo com os achados, mesmo pessoas com menor predisposição genética para longevidade podem se beneficiar significativamente de padrões alimentares saudáveis. Portanto, a genética influencia, mas não ‘anula’ o impacto do estilo de vida, especialmente da alimentação. Por outro lado, padrões alimentares inadequados podem atenuar ou até neutralizar benefícios genéticos. “A alimentação atua em múltiplos mecanismos relacionados ao envelhecimento, como inflamação, saúde cardiovascular e metabolismo energético. Esses fatores ajudam a explicar por que a dieta exerce um impacto tão expressivo na expectativa de vida”, destacam os autores.
O estudo indica, ainda, que dietas saudáveis estão associadas à menor mortalidade por doenças cardiovasculares e a um melhor funcionamento metabólico relacionado ao diabetes. “Mesmo sem avaliar diretamente a incidência dessas doenças, a análise sugere que o ganho em anos de vida está fortemente ligado à prevenção de doenças crônicas ao longo do tempo”, concluem os autores. Os resultados se mantiveram consistentes mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, tabagismo, nível de atividade física e índice de massa corporal (IMC). O artigo ‘Healthy dietary patterns, longevity genes, and life expectancy: A prospective cohort study’ foi publicado em fevereiro de 2026 na revista científica Science Advances – doi: 10.1126/sciadv.ads7559.

