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Teste molecular quantifica carga viral da hepatite delta

Escrito por: Fernanda Ortiz

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz Rondônia (Fiocruz-RO), em colaboração com a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), Centro de Infectologia Charles Mérieux e Universidade Federal do Acre (UFAC), descreveram um novo método molecular para a quantificação de carga viral de indivíduos portadores de hepatite Delta (HDV).

De caráter endêmico em regiões de alta prevalência da hepatite B (HBV), até o momento o diagnóstico molecular do vírus da HDV não está inserido na rotina dos laboratórios de referência do País. Por isso, há uma dificuldade de obter conhecimento da real prevalência e o direcionamento dos portadores crônicos ao tratamento mais adequado.

“Com este novo método molecular é possível realizar a detecção e a quantificação da carga viral na amostra do paciente, o que permite um melhor acompanhamento da doença. Além disso, permite oferecer à equipe médica informações mais precisas sobre o comportamento do vírus no organismo e a evolução do quadro clínico”, esclarece o pesquisador Jackson Alves da Silva Queiroz, da Fiocruz, um dos autores do estudo. O método molecular encontra-se em fase de aplicação e acompanhamento aos pacientes que fazem parte do estudo.

A virologista Deusilene Vieira, vice-coordenadora de Ensino, Comunicação e Informação da Fiocruz RO e coordenadora do estudo, conta que todo o desenvolvimento já foi executado. “Atualmente, monitoramos os pacientes para identificar possíveis relações entre o estágio atual da doença, a concentração de vírus no organismo e a resposta ao tratamento desses pacientes crônicos”, explica. A metodologia tem sido aplicada no Acre e em Rondônia, onde os pacientes crônicos são monitorados por meio do Serviço de Atendimento Especializado (SAE-Fundhacre) e o Ambulatório de Hepatites Virais no Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem), em Porto Velho-RO.

Endemicidade

A expectativa é ampliar esse diagnóstico molecular para um número maior de usuários, para oferecer melhor acompanhamento e manejo dos pacientes. Para a virologista, tal trabalho favorece o entendimento da endemicidade e gravidade da doença na região Norte do Brasil. “Isso contribui para a compreensão do comportamento do vírus Delta e se existe relação significativa entre a quantidade de vírus nos indivíduos infectados com a progressão dos quadros considerados graves”, avalia.

O teste molecular para quantificação da carga viral da HDV foi desenvolvido para fins de pesquisa. Mas, no futuro, poderá ser incorporado à rotina dos Laboratórios Centrais de Saúde. O estudo ‘Development of quantitative multiplex RT-qPCR one step assay for detection of hepatitis delta virus’ foi publicado em julho deste ano na Revista Scientific Reports, da Nature.

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