Novas estratégias para controle do Aedes

• Pesquisa

Alecrim e cajuzinho do cerrado contra o Aedes

Escrito por: Fernanda Ortiz

O combate ao Aedes aegypti, transmissor de doenças arboviroses como dengue, zika e chikungunya, é questão de saúde pública. Assim, a iniciativa demanda ações coletivas da sociedade civil e de órgãos governamentais para eliminar os focos do mosquito, especialmente no período de chuvas (de novembro e maio). Para ampliar essa força tarefa, a ciência tem estudado novas estratégias para controle do vetor com menor potencial de agressão ao ambiente, explorando alternativas aos inseticidas químicos convencionais.

Recentemente, um estudo realizado no Curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário de Brasília (CEUB) encontrou na natureza antídotos poderosos para barrar a proliferação do mosquito. Desenvolvido por Clerrane Santana, aluna de iniciação científica do CEUB, o trabalho revela o efeito larvicida dos extratos de cajuzinho do cerrado (Anacardium humile) e alecrim (Rosmarinus officinalis) como alternativas complementares aos inseticidas químicos convencionais.

Os pesquisadores utilizaram larvas de Aedes aegypti em estágio de desenvolvimento 3, submetidas a extratos etanoicos de cajuzinho do cerrado e alecrim obtidos pelo método de maceração com agitação em etanol 96º. “O ativo obtido foi implementado em placas de Petri, nas quais as larvas foram expostas aos extratos em concentrações de 1% e 2%, diluídos em água destilada”, explica a pesquisadora. Além disso, foram estabelecidos grupos controle, um com apenas água destilada e outro com água sanitária comercial, conhecida por seu efeito larvicida.

De acordo com o estudo, os resultados foram promissores. “O extrato de cajuzinho do cerrado apresentou um efeito larvicida semelhante ao da água sanitária na concentração de 2%, em 12 e 24 horas de exposição. Já o extrato de alecrim não apresentou diferença estatística significativa em relação ao grupo controle nas concentrações testadas”, descreve a pesquisadora. No entanto, nas primeiras 12 horas, o alecrim demonstrou ser mais eficiente do que a água sanitária, com uma taxa de mortalidade de 85% em comparação aos 78% do controle convencional. Dessa forma, ambos se mostraram promissores como novas estratégias para controle do vetor.

Fitoterapia

Ao utilizar a fitoterapia, ou seja, os constituintes ativos de plantas ou derivados vegetais, é possível potencializar a ação da mistura dos componentes presentes nesses produtos naturais. “Acreditamos que a interação dessas moléculas cause o efeito desejado, pois os extratos testados são ricos em compostos fenólicos já conhecidos por suas propriedades larvicidas”, avalia a bioquímica e doutora em biologia celular Francislete Melo, professora de Ciências Biológicas do CEUB e orientadora do projeto.

Dessa forma, a aplicação doméstica de extratos de plantas, a exemplo do alecrim, apresenta-se como uma alternativa simples, natural e de baixo custo para o controle das larvas do mosquito. Assim, pode ser utilizado como estratégia complementar às medidas de manejo já estabelecidas pelos órgãos de saúde. “Os resultados abrem caminho para a implementação de métodos mais sustentáveis e eficientes no combate ao Aedes aegypti, contribuindo para a redução das doenças transmitidas por esse vetor e para a preservação do meio ambiente”, completa a orientadora.

Casos de dengue disparam

Principal doença causada pelo vetor, o aumento no número de casos de dengue reforça a importância de estratégias para combate do Aedes aegypti. De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde de janeiro a novembro deste ano foram registrados mais de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue no Brasil, ou seja, uma incidência de 753,9 casos/100 mil habitantes. Esses números representam um aumento de 16,5% no número de casos em relação ao mesmo período de 2022. Entre as ações de combate, especialistas recomendam proteger e/ou eliminar possíveis locais de proliferação, a exemplo de caixas d’água e tambores, vasos, garrafas, calhas, lajes, pneus e os depósitos naturais do mosquito. Além disso, outras fontes de água parada devem ser observadas, como a água disponível para os animais de estimação, que deve ser trocada e cujo recipiente precisa ser higienizado diariamente.

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