A literatura classifica as bactérias intestinais responsivas ao estrógeno como estroboloma intestinal, ou seja, aquelas que possuem uma coleção de genes bacterianos envolvidos no metabolismo do estrogênio e que pode explicar algumas das diferenças interindividuais observadas durante a menopausa – por exemplo, sintomas e risco de doenças. “O estroboloma intestinal tem o potencial de efetuar a hidrólise do estrogênio conjugado excretado pela atividade enzimática da β-glucuronidase. Assim, o hormônio em sua forma livre pode ser reabsorvido para a corrente sanguínea. Os principais filos bacterianos associados a esta ação são Bacteroidetes e Firmicutes, os dois mais abundantes no intestino”, afirma a professora Priscila Larcher Longo.
A docente acrescenta que, dos quatro tipos de estrogênio (dois produzidos durante a gestação), o estradiol (E2) é mais potente e ativo durante a idade fértil da mulher, produzido principalmente pelos ovários e responsável pelo ciclo menstrual, enquanto o estrona (E1) é a forma mais fraca. Produzido no tecido adiposo, o E1 torna-se o tipo principal após a menopausa. Assim, o estroboloma desconjuga esse estrogênio, ou seja, retira a proteína que foi usada para excretar o hormônio feminino e consegue fazer com que esse estrogênio volte para a corrente sanguínea. “Portanto, são bactérias associadas à ‘reciclagem’ desse estrogênio. Então, se a mulher que está produzindo cada vez menos estrogênio conseguir manter uma microbiota intestinal capaz de reciclar esse estrogênio que retorna à corrente sanguínea, terá uma menopausa melhor”, esclarece. Alguns estudos mostram, por exemplo, que a mulher com um estroboloma saudável terá resposta mais efetiva da reposição hormonal.
No artigo ‘A via estrobolômica na menopausa: implicações da microbiota intestinal no metabolismo do estrogênio’, desenvolvido por pesquisadores da Universidade São Judas Tadeu – com orientação da professora Priscila Larcher Longo e publicado no livro Perspectivas multidisciplinares em saúde: práticas integrativas entre Brasil e Portugal – vol. 2 –, os autores afirmam que a via estrobolômica no climatério tem uma função importante no que diz respeito à saúde e ao bem-estar, uma vez que o estroboloma possui ação considerável para a modulação hormonal dos níveis de estrogênio endógeno no processo de reabsorção. Segundo os autores, o bioma intestinal exerce uma função crucial na regulação hormonal feminina, especialmente na fase do climatério, quando a produção endógena de estrogênio entra em declínio. Esse período também está associado a modificações importantes na composição do microbioma intestinal, pois ocorre redução na diversidade das bactérias neste ambiente. “Com isso, há possibilidade de comprometimento da integridade da barreira intestinal, estimulando a inflamação sistêmica e propiciando o desenvolvimento de enfermidades cardiometabólicas”, sinalizam.

