Embora as lesões do herpes estejam muito relacionadas aos lábios, o vírus também pode atingir estruturas oculares. Com isso, pode provocar complicações importantes quando não há assistência adequada logo nos primeiros sintomas. Dor, ardência, incômodo diante da claridade, lacrimejamento constante e dificuldade para enxergar com nitidez são sinais de herpes ocular que merecem atenção imediata.
O herpes ocular é causado, na maioria dos casos, pelo vírus herpes simples tipo I, o mesmo relacionado ao herpes labial. A infecção costuma atingir a córnea, membrana transparente localizada na parte frontal do globo ocular, além das pálpebras. O quadro pode surgir pela primeira vez após contato com secreções contaminadas e reaparecer em momentos de queda da imunidade.
De acordo com a médica oftalmologista Jaqueline Fernandes Ruiz, do H.Olhos, o herpes ocular pode provocar lesões capazes de comprometer a qualidade visual de maneira significativa. “Dependendo da profundidade atingida, existe risco de cicatrizes permanentes e até perda importante da capacidade de enxergar”, acentua.
O vírus permanece no organismo mesmo após o desaparecimento das manifestações iniciais. Em determinadas situações, como estresse intenso, febre, exposição solar excessiva ou fragilidade imunológica, ocorre a reativação. Por isso, muitas pessoas acreditam que tiveram apenas um episódio isolado, porém, o agente infeccioso continua latente no corpo. “Em alguns momentos, o vírus volta à atividade e desencadeia novos quadros”, complementa a médica.
Atenção aos sintomas
Entre os principais sinais do herpes ocular estão vermelhidão, sensação de areia, desconforto, lacrimejamento, inchaço nas pálpebras e hipersensibilidade à luz. Em situações mais avançadas, o paciente pode perceber visão embaçada e dificuldade para manter os olhos abertos.
“É importante ressaltar que nem toda irritação ocular representa algo simples”, afirma a médica. Quando existe dor associada à piora visual, é fundamental buscar avaliação oftalmológica rapidamente, para evitar agravamentos. O diagnóstico é realizado durante consulta oftalmológica especializada por meio da avaliação clínica e exame ocular detalhado.
O tratamento varia conforme a região atingida e a intensidade do quadro, podendo incluir antivirais específicos. A oftalmologista alerta, ainda, que a automedicação representa um risco importante. “Alguns colírios usados sem orientação podem agravar a infecção e favorecer danos mais sérios. Por isso, qualquer sintoma deve ser investigado por um especialista”, orienta.
Medidas preventivas
- Higienizar as mãos frequentemente
- Evitar compartilhar toalhas, maquiagens, fronhas ou objetos pessoais
- Não tocar os olhos após contato com lesões ativas
- Crianças, idosos, gestantes e indivíduos imunossuprimidos precisam de atenção redobrada, porque apresentam maior vulnerabilidade para complicações.
- Procurar assistência ao perceber qualquer alteração ocular persistente

