Meningite é considerada uma doença endêmica

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Casos de meningite e encefalite preocupam

Escrito por: Fernanda Ortiz

De acordo com o Ministério da Saúde, a meningite é considerada uma doença endêmica no Brasil. Casos da enfermidade são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. Entretanto, a ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno, enquanto as virais ocorrem mais na primavera-verão. O sexo masculino também é o mais acometido pela doença. A meningite, em conjunto com a encefalite, está entre as emergências médicas mais frequentes que envolvem o sistema nervoso. Sem o diagnóstico e o tratamento precoces, ainda na fase inicial, tais enfermidades podem evoluir, aumentando o risco de complicações e sequelas como, por exemplo, perda de audição e visão, convulsão e déficit intelectual.

Caracterizadas por inflamações no sistema nervoso, a meningite e a encefalite são provocadas pela presença de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos, como fungos e protozoários. “A transmissão geralmente ocorre por meio do contato com gotículas e secreções de um indivíduo infectado”, explica o cirurgião cardiovascular Salomón Soriano Ordinola Rojas, coordenador da UTI Neurológica da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Os sintomas iniciais e clássicos das duas condições são praticamente os mesmos, começando com febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, náusea, vômito, sensibilidade à luz e alterações de comportamento.

O que difere as duas doenças é o local onde ocorre a inflamação. A meningite atinge as membranas meninges, que envolvem o cérebro, o encéfalo e medula espinhal. Já a encefalite afeta diretamente o cérebro. “Existe ainda a meningoencefalite, uma condição rara e geralmente fatal que se caracteriza pela infecção simultânea do cérebro e das meninges”, orienta o médico. As formas mais agressivas da meningite são as de origem bacteriana, que podem resultar em perda de audição e visão, convulsão e déficit intelectual. A encefalite, por sua vez, é frequentemente desencadeada por vírus. Entretanto, pode ser transmitida também por picadas de carrapatos e insetos, assim como pelo consumo de alimentos ou bebidas contaminados.

O diagnóstico para determinar o tipo de doença e manifestação inclui exame físico, histórico do paciente, análise do líquido cefalorraquidiano (LCR ou líquor) para identificar o agente infeccioso, e exames de imagem (tomografia ou ressonância magnética) para estabelecer qual a região afetada. “O tratamento é individual a depender do diagnóstico. No geral, é baseado em corticoides, antivirais, antibióticos e outros medicamentos intravenosos durante um período médio de 7 a 14 dias para controle dos sintomas”, esclarece o médico.

Prevenção 

A forma mais eficaz para se proteger dessas doenças e evitar o risco de complicações e sequelas é a vacinação. O Programa Nacional de Imunização (PNI) Ministério da Saúde oferece prevenção contra agentes infecciosos como o vírus influenza B e as bactérias meningococo e pneumococo. Além de manter a vacinação em dia, o cirurgião cardiovascular Salomón Soriano Ordinola Rojas aconselha lavar as mãos regularmente, evitar o compartilhamento de objetos pessoais e evitar locais fechados e aglomerados. Como essas doenças são transmissíveis, caso haja contato com indivíduo infectado – mesmo sem apresentar os sintomas clássicos – é importante procurar assistência médica para investigação de caso, prescrição de medicação preventiva ou início de tratamento, em caso de diagnóstico positivo.

Vacinas disponíveis

As vacinas disponíveis para prevenção das principais causas de meningite bacteriana estão disponíveis no calendário de vacinação da criança do Programa Nacional de Imunização conforme abaixo.

  • A vacina meningocócica C (conjugada): duas doses, administradas entre os três e cinco meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, com uma dose de reforço aos 12 meses.
  • A vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): crianças aos dois meses e quatro meses uma dose de reforço aos 12 meses de idade.
  • A vacina pentavalente: crianças aos dois, quatro e seis meses de idade.
  • A vacina meningocócica conjugada quadrivalente — ACWY: adolescentes de 11 a 14 anos, administrar um reforço ou dose única, conforme situação vacinal encontrada.

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