Mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo possuem alguma das mais de 500 imunodeficiências primárias já conhecidas, também denominadas erros inatos da imunidade (EII). Essas doenças genéticas raras comprometem o sistema imunológico de maneiras distintas e aumentam a vulnerabilidade a infecções graves e recorrentes, além de alergias graves, doenças autoimunes e até alguns tipos de câncer. De acordo com a Sociedade Latino-Americana de Imunodeficiências, entre 75% e 90% dos casos seguem sem diagnóstico.
A médica imunologista Carolina Prando, do Hospital Pequeno Príncipe, alerta para os principais sinais que podem indicar um erro inato da imunidade e também para a importância do diagnóstico precoce. “O conhecimento é a principal estratégia para promover o diagnóstico precoce, pois, na maioria das vezes os sinais estão ali, mas raramente são associados a uma possível imunodeficiência”, afirma.
Os sintomas das imunodeficiências primárias se apresentam e se combinam de acordo com o efeito que cada alteração genética causa no sistema imune. “No entanto, é preciso que mais profissionais conheçam essas doenças e saibam reconhecer os sinais, pois o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, pontua a médica imunologista.
Tratamento
O tratamento das imunodeficiências primárias varia conforme o tipo e a gravidade. Por esse motivo, pode incluir uso contínuo de antibióticos e antifúngicos, reposição de imunoglobulina e utilização de imunobiológicos. Em casos específicos, pode ser indicado o transplante de medula óssea.
A prevenção de infecções também é essencial e faz parte do tratamento. Para alguns pacientes, por exemplo, vacinas com organismos vivos são contraindicadas. Desta forma, é crucial que os contatos próximos estejam devidamente imunizados. Consultas regulares, exames de rotina e adesão aos medicamentos completam os cuidados.
Os 10 sinais de alerta
- Histórico familiar de erro inato da imunidade ou consanguinidade.
- Infecções incomuns ou graves.
- Diarreia crônica de início precoce.
- Quadros alérgicos graves.
- Reações adversas a vacinas vivas (BCG, febre amarela, rotavírus, tetraviral).
- Características sindrômicas.
- Déficit de crescimento
- Febres persistentes sem explicação.
- Manifestação precoce e/ou combinada de autoimunidade.
- Tumores precoces, incomuns ou recorrentes.
Saiba mais sobre o tema na matéria especial da edição 108 da revista Super Saudável

