Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) geram consequências para a saúde em longo prazo e, frequentemente, exigem tratamento e cuidados prolongados. Entre elas estão câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e pulmonares crônicas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), comportamentos modificáveis como o uso de tabaco, a inatividade física, dieta pouco saudável e consumo excessivo de álcool aumentam o risco. Neste contexto, pesquisadores passaram a estudar o papel das frutas brasileiras na prevenção dessas enfermidades, por serem ricas em nutrientes e compostos bioativos com atividades antioxidante e anti-inflamatória. As frutas nativas brasileiras se diferem das demais principalmente pela origem, adaptação ecológica e composição nutricional.
Essas espécies que se desenvolveram naturalmente nos diferentes biomas do Brasil, como Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal, se adaptaram às condições de solo, clima e biodiversidade. “Essa adaptação confere a essas frutas alta diversidade genética e perfil único de nutrientes e compostos bioativos, muitas vezes superiores aos de frutas exóticas introduzidas no País”, explica a nutricionista Maiara da Costa Lima, professora doutora e pesquisadora do Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Os compostos bioativos são substâncias naturais presentes em alimentos, especialmente hortaliças, frutas e grãos. Embora não sejam nutrientes essenciais, esses compostos exercem efeitos benéficos na saúde, atuando na prevenção e modulação de doenças crônicas e na manutenção do equilíbrio celular, e com efeitos positivos no sistema imunológico.
De acordo com o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e membro da The Obesity Society (TOS-USA), os compostos bioativos das frutas atuam como protetores celulares naturais, auxiliando o organismo a combater o estresse oxidativo e as inflamações – que são processos ligados à origem das doenças crônicas não transmissíveis. “O mecanismo de ação dos compostos bioativos no organismo é diferenciado e envolve ação antioxidante ao neutralizar os radicais livres”, enfatiza. Quando estão em excesso no organismo, radicais livres podem levar a um estresse oxidativo e danificar as células, favorecendo o envelhecimento precoce e certas doenças, inclusive as crônicas.
A concentração desses compostos bioativos pode variar de acordo com a parte da fruta. Geralmente, as cascas e sementes têm maior concentração, por isso, é recomendado o aproveitamento integral. Essas frutas nativas brasileiras também são ricas em carboidratos, minerais e vitaminas, sendo consideradas de baixa densidade calórica. Além disso, auxiliam na redução do colesterol e na melhora da sensibilidade à insulina ao diminuir a absorção de gorduras, regular a glicose, reduzir inflamações e favorecer o equilíbrio da microbiota intestinal. Ademais, ajudam na sensação de saciedade, pois contêm alta proporção de água, fibras e nutrientes. “Todos esses mecanismos, juntos, protegem contra doenças cardiovasculares e cardiometabólicas”, ensina o médico.

