Mais do que contribuir para o prazer de saborear um alimento, o olfato desempenha um papel essencial na proteção da saúde e da segurança, ajudando a detectar fumaça, gases tóxicos e alimentos estragados. Neste contexto, a anosmia, caracterizada pela perda parcial ou total do olfato, pode comprometer a alimentação, a percepção de riscos e o bem-estar. Embora, muitas vezes, associada apenas a gripes e resfriados, a condição também pode estar relacionada a outros fatores mais importantes. Por isso, qualquer alteração persistente no olfato deve ser investigada para evitar complicações e aumentar as chances de recuperação.
A anosmia pode ser temporária ou permanente e estar relacionada a diferentes causas. De acordo com o médico otorrinolaringologista Felipe Marconato, especialista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a perda parcial ou total do olfato não deve ser encarada como algo sem importância. “Em alguns casos, a anosmia é transitória, mas também pode sinalizar doenças inflamatórias, alterações anatômicas ou problemas neurológicos que exigem investigação especializada”, explica.
A condição ganhou visibilidade durante a pandemia de Covid-19, quando passou a ser reconhecida como um dos sintomas característicos da infecção. No entanto, também pode estar relacionada a outras condições respiratórias como gripes, resfriados, rinite, sinusite e pólipos nasais. Outras causas incluem traumas cranianos, envelhecimento natural das estruturas olfatórias e exposição a substâncias tóxicas, como produtos químicos e metais pesados.
Segundo o especialista, a perda parcial ou total do olfato frequentemente afeta muito mais do que a simples percepção dos odores. “Como o sentido está diretamente relacionado à identificação dos sabores, a anosmia pode fazer com que os alimentos pareçam sem gosto ou menos saborosos”, observa. Assim, além de reduzir o prazer nas refeições, a condição pode alterar o apetite, afetar a alimentação e impactar aspectos emocionais, sociais e, consequentemente, a qualidade de vida.
Sintomas merecem atenção
Entre os principais sinais de alerta estão a dificuldade ou incapacidade de sentir cheiros, redução da percepção dos sabores, obstrução nasal persistente, secreção nasal e desconforto facial. Em algumas situações, a alteração surge repentinamente após uma infecção viral, enquanto em outras evolui de forma gradual ao longo dos anos. “Qualquer mudança persistente na capacidade de sentir cheiros merece atenção. Muitas vezes, a anosmia é o primeiro indício de uma condição que precisa ser diagnosticada e tratada adequadamente”, destaca o especialista.
Recuperação
O prognóstico depende diretamente da origem do problema. Em situações associadas a infecções respiratórias ou processos inflamatórios, a recuperação costuma ocorrer após o tratamento adequado. Quando há lesão direta do nervo olfatório ou das estruturas neurológicas envolvidas, a perda pode ser definitiva. O otorrinolaringologista enfatiza, ainda, que nem toda perda de olfato é reversível, mas muitas delas podem ser controladas com sucesso quando a causa é identificada precocemente.
O tratamento é individualizado e varia de acordo com o diagnóstico. Medicamentos podem ser indicados para controlar inflamações e infecções, enquanto algumas alterações estruturais exigem correção cirúrgica. “Nos casos de perda persistente após a Covid-19, o treinamento olfativo baseado na exposição repetida a diferentes aromas tem apresentado resultados promissores na recuperação da função olfatória”, orienta.

