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Hipertensão arterial

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Estudo avalia probióticos no controle da hipertensão arterial

Escrito por: Adenilde Bringel

No Brasil, de 30% a 45% da população tem hipertensão arterial, representando uma das taxas mais altas do mundo. Na última década, estudos têm demonstrado que a disbiose intestinal pode exercer um papel fundamental no desenvolvimento da hipertensão arterial, porque a composição da microbiota afeta o sistema cardiovascular, imunológico, neural e metabólico. Uma das principais causas de doença cardiovascular, a hipertensão arterial é o foco dos estudos do grupo do nutricionista José Luiz de Brito Alves, professor doutor adjunto do Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFB). E, mais recentemente, a microbiota intestinal também passou a ser investigada pelo grupo com objetivo de buscar estratégias voltadas para a melhora da hipertensão.

O docente explica que o controle da pressão arterial é extremamente complexo e vai envolver respiração, hormônios, fator genético e a própria função renal e vascular. Em geral, os pacientes hipertensos usam pelo menos três classes de anti-hipertensivo: um diurético, um betabloqueador e um inibidor de enzima conversora de angiotensina. “Ainda assim, quando vamos aferir a pressão arterial deles está 14 por 10 ou 14 por 9, ou seja, alta. Isso mostra que, se pensarmos no tratamento da hipertensão só baseado na farmacoterapia clássica, não vamos conseguir controlar essa condição”, acrescenta. Como o uso de probióticos tem emergido como uma estratégia terapêutica com potencial para o tratamento da hipertensão, o grupo da UFPB desenvolveu um estudo para avaliar os efeitos da suplementação de uma mistura probiótica sobre os parâmetros cardiovasculares, variáveis antropométricas e bioquímicas, consumo alimentar e a composição da microbiota fecal em mulheres hipertensas e com sobrepeso ou obesidade.

O ensaio clínico randomizado, triplo-cego controlado por placebo foi conduzido com 40 mulheres entre 20 e 50 anos. As pacientes foram randomizadas em dois grupos. No grupo probiótico, foram tratadas com 1g/dia de uma mistura contendo Lactobacillus paracasei Lpc-37 R SD 5275 R, Lactobacillus rhamnosus HN001 R SD 5675 R, Lactobacillus acidophilus NCFM R SD 5221 R e Bifidobacterium lactis HN019 R SD 5674 (cepas comerciais). O grupo placebo recebeu 1g/dia de polidextrose. As intervenções foram realizadas por oito semanas, além de exames bioquímicos, avaliação da pressão arterial, variabilidade da frequência cardíaca, avaliação antropométrica, consumo alimentar e contagem de microbiota fecal antes e após a intervenção.

Os resultados mostraram que a suplementação com probióticos reduziu significativamente a glicemia de jejum e aumentou o HDL-colesterol em comparação com a condição da linha de base. A suplementação resultou, ainda, em maiores contagens fecais de Lactobacillus e reduziu em 67% o número de pacientes com supercrescimento bacteriano do intestino delgado. Além disso, reduziu a pressão arterial sistólica em 5 mmHg e a diastólica em 2 mmHg, assim como a oscilação de baixa frequência (LF), a relação LF/alta frequência (HF) e a relação LF/HF na variabilidade da frequência cardíaca. Ademais, teve efeitos benéficos nos níveis de glicemia de jejum, perfil lipídico e modulação autonômica nas mulheres hipertensas.

Embora a pressão arterial não tenha sido significativamente reduzida, as mulheres que receberam o probiótico diminuíram a glicemia e o colesterol total e aumentaram o HDL-colesterol. “Portanto, metabolicamente houve uma melhora de alguns fatores que podem contribuir ou reduzir o desenvolvimento de doença cardiovascular. Isso foi um ponto positivo neste ensaio”, reforça o professor José Luiz de Brito Alves. O artigo ‘Effects of probiotic therapy on cardio-metabolic parameters and autonomic modulation in hypertensive women: a randomized, triple-blind, placebo-controlled trial’ foi publicado em 2022 no periódico Food Functions.

Outros estudos em andamento

O grupo da UFPB está finalizando outros dois ensaios clínicos placebo controlado sobre hipertensão e microbiota. Em um deles, os pesquisadores vão utilizar probiótico manipulado e um mix de fibras prebióticas que já são bem estabelecidos na literatura com efeito benéfico. “No segundo, será usado um composto vegetal que é pouco utilizado, mas é riquíssimo em fibra e tem um perfil de aminoácido interessante – que são os cogumelos. Estamos trabalhando a intervenção com cogumelos na forma de cápsula”, relata o professor. A expectativa é confirmar se haverá melhora metabólica nos pacientes pensando em uma estratégia simbiótica e prebiótica. Em ambos os estudos, os pesquisadores também pretendem avaliar a microbiota intestinal dos participantes.

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