A osteoartrite no joelho, também chamada de artrose, é uma condição em que a cartilagem da articulação vai se desgastando com o tempo. Como essa cartilagem funciona como um amortecedor entre os ossos, ao se deteriorar causa mais atrito, causando dor e dificuldade de movimento. É uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas e sendo uma das principais causas de dor e limitação física em idosos, prejudicando a qualidade de vida.
Caracterizada pela dor, rigidez, mobilidade reduzida e incapacidade funcional, a osteoartrite no joelho pode ser classificada como primária ou secundária. A primária está relacionada ao envelhecimento natural e ao desgaste mecânico, enquanto a secundária está associada a trauma prévio, lesões em ligamentos ou meniscos, distúrbios metabólicos ou deformidades estruturais no joelho. Entre os tratamentos, estão a fisioterapia, medicamentos para dor, infiltrações no joelho e, em casos mais graves, a cirurgia.
O estudo
Em busca de mais alternativas para melhorar a qualidade de vida de pacientes com a condição, um estudo clínico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) analisou os benefícios que a fotobiomodulação laser de baixa intensidade pode trazer às pessoas com osteoartrite no joelho. O estudo foi conduzido pelo professor Thiago dos Santos Maciel, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e pela professora Amélia Pasqual Marques, da FMUSP, além de outros colaboradores. O experimento envolveu a participação de 65 voluntários (homens e mulheres) com idades entre 50 e 74 anos, todos diagnosticados com osteoartrite nos joelhos.
Os participantes foram divididos em três grupos: um recebeu tratamento com laser, outro foi submetido a placebo utilizando o aparelho desligado e o terceiro passou apenas por acompanhamento clínico (com duração de 10 semanas). As aplicações ocorreram três vezes por semana, ao longo de 10 semanas, em nove pontos específicos da região do joelho. O grupo placebo, que durante o tratamento teve o aparelho desligado durante a pesquisa, foi submetido a tratamento ao final do experimento.
Os participantes tratados com a luz laser apresentaram redução significativa da dor, além de melhora na mobilidade, na capacidade de realizar atividades cotidianas e na qualidade de vida. Esses resultados foram avaliados por meio de questionários específicos e testes funcionais que mediram desde a intensidade da dor até habilidades como caminhar e levantar-se de uma cadeira. Os resultados foram divulgados no artigo ‘Effect of photobiomodulation (low-level laser therapy) in patients with knee osteoarthritis: a randomized controlled trial’, publicado na revista científica Lasers in Medical Science.
Ações do laser
Os resultados foram possíveis porque o laser atua diretamente no nível celular, estimulando a produção de energia nas células e reduzindo processos inflamatórios. “Dessa forma, observamos diminuição da rigidez, melhora da função e alívio da dor, sem os efeitos colaterais frequentemente associados aos medicamentos utilizados nesses casos”, explica o pesquisador Thiago dos Santos Maciel.
Os efeitos observados podem estar relacionados à ação fisiológica do laser no comprimento de onda utilizado, de 790 nm, sobre os tecidos articulares. Com isso, desencadeia uma série de reações que aumentam a produção de ATP, principal fonte de energia das células. Esse aumento na energia celular pode iniciar uma cascata de eventos, como a modulação das espécies reativas de oxigênio, a ativação da síntese de proteínas e da expressão gênica, além da redução de mediadores inflamatórios e da atividade de enzimas que degradam a cartilagem.
“Também há estímulo à produção de proteoglicanos, importantes para a hidratação, lubrificação e sustentação dos tecidos, e de colágeno tipo II, contribuindo para efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e regenerativos”, pontua a docente Amélia Pasqual Marques. Além disso, a fotobiomodulação favorece a proliferação e diferenciação das células da cartilagem, estimula a formação controlada de vasos sanguíneos e regula os sinais relacionados à dor. Esses mecanismos ajudam a explicar as melhorias na qualidade de vida e nas atividades diárias relatadas pelos participantes da pesquisa.

