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Cirurgia de neuromodulação sacral

• Tecnologia

Uso da robótica na incontinência urinária

Escrito por: Elessandra Asevedo

Pela primeira vez no mundo, o sistema robótico de aquisição de imagens Loop-X foi utilizado para realizar uma cirurgia de neuromodulação sacral. O tratamento é o mais recomendado para pacientes com bexiga hiperativa, com incontinência urinária de urgência e sem resultados com outras terapias. O procedimento, inédito no Brasil, foi realizado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

De acordo com o médico urologista Marcio Averbeck, responsável pela condução da cirurgia, o Loop-X é uma espécie de robô de aquisição de imagens em 2D e 3D que permite a visualização com detalhes dos nervos sacrais. “Além disso, permite a fusão de imagens de ressonância magnética de alta definição com o sistema de aquisição de imagens no transoperatório”, detalha.

A cirurgia de neuromodulação sacral consiste, em um primeiro momento, na implantação de um eletrodo junto ao nervo sacral – responsável pelo controle da bexiga e do esfíncter uretral. Depois de uma semana, o paciente é avaliado para verificar a resposta ao tratamento. Em casos positivos, é submetido à implantação de um gerador que promove a estimulação crônica do nervo sacral, melhorando a qualidade de vida em longo prazo.

O sistema robótico permitiu a realização do procedimento em um menor intervalo de tempo e com mais segurança. “Esse equipamento aumenta a precisão e o controle do procedimento, possibilitando que as cirurgias sejam mais eficientes e seguras”, reforça o urologista Eduardo Carvalhal, chefe do Serviço de Urologia do hospital.

Tecnologia promissora

A bexiga hiperativa é um conjunto de sintomas que inclui a urgência miccional. “Essa vontade súbita e descontrolada de urinar se torna um grande incômodo para quem sofre desta doença”, afirmam os médicos. Essa condição, que faz a pessoa ir ao banheiro de forma repentina e várias vezes ao dia e à noite, pode levar até mesmo à diminuição do convívio social e à baixa autoestima.

Além disso, o constrangimento quanto ao assunto e a falsa crença de que se trata de uma condição hereditária e de envelhecimento impedem as pessoas de procurarem tratamento médico. O estudo ‘The prevalence of lower urinary tract symptoms (LUTS) in Brazil: Results from the epidemiology of LUTS (Brazil LUTS) study’, realizado em 2018, mostrou que um a cada quatro brasileiros apresentam sintomas de bexiga hiperativa e a maioria não procura ajuda. Entre os motivos está o desconhecimento sobre os tratamentos disponíveis, assim como medicamentos e procedimentos.

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