De acordo com os especialistas, a proposta de atualização dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para o tratamento de dermatite atópica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) reforça o papel da atenção primária à saúde na identificação precoce e no encaminhamento adequado dos casos. Dessa forma, contribuirá para melhores resultados clínicos e redução da carga socioeconômica associada à doença.
Após um longo período sem revisões, a atualização atende à Portaria SECTICS/MS nº 48/2024, que incorporou o uso dos medicamentos imunobiológicos dupilumabe para crianças e upadacitinibe para adolescentes com a forma grave da doença. Além disso, o novo protocolo inclui a incorporação de medicamentos tópicos como o tacrolimo e o furoato de mometasona, além do metotrexato para uso sistêmico.
“Embora relevantes para a evolução do cuidado, os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas não contemplam os casos graves da doença de forma plena, especialmente entre a população adulta. Além disso, não disponibilizam hidratantes para uso diário”, lamenta a pediatra Vania Oliveira de Carvalho. Atualmente, a rede pública de saúde já oferece duas pomadas para aplicação direta na pele – dexametasona creme (1 mg/g) e acetato de hidrocortisona creme (10 mg/g – 1%). Ambas são classificadas como de potência leve.
Para casos mais graves, está disponível a ciclosporina em solução oral. Coordenada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC), a consulta pública referente a essa atualização foi encerrada em julho de 2025 e o documento final, ainda sem data definida, será publicado após a análise das contribuições recomendadas por diversas entidades médicas e associações de pacientes.

