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Hormônio masculino

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Testosterona é essencial na função reprodutiva

Escrito por: Fernanda Ortiz

Principal hormônio masculino circulante, a testosterona é essencial na função reprodutiva, no estabelecimento e na manutenção de características como densidade óssea e pelos. Além disso, ajuda a regular a libido, o humor e a saúde cardiovascular em homens e mulheres, influenciando o desenvolvimento sexual, o metabolismo, a energia e o bem-estar geral. Quando em baixa, sua reposição terapêutica é indicada para tratar deficiências hormonais ligadas à andropausa nos homens, obesidade e envelhecimento. Entretanto, é preciso atenção pois a suplementação sem prescrição adequada pode gerar sérios riscos à saúde.

A queda ou deficiência na produção de testosterona em homens é chamada de hipogonadismo. O diagnóstico para essa condição é realizado pela presença de sintomas e concentrações séricas consistentemente baixas desse hormônio masculino. “A diminuição significativa dessa ação androgênica está associada à síndrome que envolve osteoporose, fraqueza, redistribuição de gordura corporal, anemia, diminuição da libido e da função sexual, mal-estar e anormalidades cognitivas”, descreve a médica endocrinologista e metabologista Maria Augusta Karas Zella. Além disso, pode ocorrer queda na contagem de espermatozoides, juntamente com aumento na concentração dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH), produzidos pela hipófise.De acordo com a especialista, que é professora de Semiologia e Endocrinologia da Faculdade Evangélica Mackenzie Paraná (FEMPAR), outras doenças também podem interferir na função hormonal masculina. Entre as mais comuns estão a hemocromatose, em que o acúmulo excessivo de ferro (característico da doença) pode levar ao hipogonadismo – principalmente em homens; a doença falciforme, o alcoolismo, o tratamento com glicocorticoides e o envelhecimento. “Além disso, qualquer doença aguda ou crônica, uso de medicamentos, obesidade, desnutrição e exercícios excessivos podem diminuir os níveis de testosterona”, adverte.

Níveis de deficiência

A deficiência desse hormônio masculino é geralmente diagnosticada com testosterona total abaixo de 300 ng/dL – confirmada por exames de sangue matinais. Entretanto, a interpretação depende dos sintomas clínicos e das sociedades médicas, que podem exigir dosagem de testosterona livre para uma avaliação completa. De acordo com a médica, definir níveis plasmáticos abaixo do limite inferior do normal para faixa etária e sexo é dificultado pelo fato de que os níveis de andrógenos caem naturalmente com a idade. “Dessa forma, tal alteração pode não ser necessariamente anormal nem requer correção”, avalia. Assim, o diagnóstico nunca deve ser baseado em apenas uma dosagem, sendo necessárias duas coletas para confirmação, pois, em um mesmo paciente os valores podem variar em até 30% entre dias diferentes.

MulheresCom base nas últimas recomendações da Endocrine Society, o diagnóstico de deficiência androgênica em mulheres saudáveis não deve ser feito, pois ainda não há dados que correlacionem os níveis de andrógenos com sinais ou sintomas específicos. Dessa forma, níveis hormonais baixos de testosterona não são preditivos de função sexual diminuída. “Essa questão é ainda agravada pela falta de ensaios padronizados e precisos, seja para dosar andrógenos nos baixos níveis encontrados nas mulheres ou pela ausência de intervalos de referência válidos”, comenta a médica. A dosagem de testosterona com o método utilizado na maioria dos laboratórios pode subestimar o nível hormonal, levando ao falso diagnóstico de deficiência.

Libido

Atualmente, é frequente a prescrição de testosterona para mulheres na menopausa, na tentativa de recuperar ou melhorar a libido. Entretanto, é preciso destacar que a libido feminina não é dependente exclusivamente da testosterona, uma vez que o desejo sexual envolve um conjunto de fatores orgânicos, psicológicos, relacionais e motivacionais. Já a utilização da terapia androgênica na pós-menopausa é um tema controverso e exige cautela por parte dos profissionais médicos. “Muitas vezes, nas fases de transição da menopausa, as queixas se relacionam a alterações no desejo sexual e à dispareunia (dor durante a relação sexual), sendo necessária atenção à reposição sistêmica, quando não contraindicada, dos hormônios femininos como o estradiol”, alerta a especialista.

A indicação para reposição de testosterona na população feminina é bastante específica: restringe-se a pacientes diagnosticadas com transtorno do desejo sexual hipoativo, que solicitam tratamento e não apresentam contraindicações. Entretanto, nem todas as mulheres respondem à reposição. “No Brasil, até o presente momento, não existe formulação medicamentosa contendo androgênios aprovada para uso específico em mulheres”, sinaliza. Já as receitas contendo testosterona e seus derivados, destinadas ao uso masculino, devem ser desencorajadas para prescrição feminina devido ao grande risco de superdosagem e à dificuldade de monitoramento terapêutico.

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