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Sepse neonatal

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Pesquisa investiga o perfil patogênico implicado na sepse neonatal

Escrito por: Adenilde Bringel

A sepse é classificada como precoce quando surge nas primeiras 48 horas de vida, e tardia quando começa após este período. De acordo com a literatura, por ser uma condição de difícil diagnóstico devido à baixa acurácia dos exames complementares e a sinais clínicos inespecíficos, a escolha da antibioticoterapia empírica tem sido utilizada para a redução da morbimortalidade. Alguns estudos sugerem que o principal fator de risco para a sepse neonatal precoce é a colonização materna por Streptococcus beta hemolítico do grupo B (GBS), bem como pela bactéria Escherichia coli, que seriam responsáveis por aproximadamente dois terços das infecções de início precoce. Outro agente bacteriano associado é o Staphylococcus aureus – incluindo os resistentes à meticilina – que é um patógeno potencial na sepse neonatal e pode ser adquirido na comunidade.

“Outras bactérias Gram-negativas como a Klebsiella, ­Enterobacter e Citrobacter spp estão associadas às infecções de início tardio, sobretudo em bebês internados nas unidades de terapia intensiva neonatal”, afirmam os autores do estudo ‘Perfil da microbiota associada à sepse neonatal em uma maternidade de referência do Estado do Pará’, com orientação da professora doutora Salma Brito Saraty, professora adjunto da Universidade Estadual do Pará e membro/líder do Grupo de Pesquisa do Hospital Santa Casa de Misericórdia do Pará. Para determinar o perfil patogênico implicado na sepse neonatal e a resistência aos antimicrobianos, os pesquisadores Bianca Evelyn Piedade Sena e Erick Sena Santos analisaram 803 prontuários de neonatos nascidos entre 2020 e 2022 na maternidade de referência daquele Estado, que tiveram o diagnóstico clínico de sepse com hemoculturas positivas.

Os pesquisadores coletaram informações sobre tipo de sepse (tardia ou precoce), sexo da criança, espécie infecciosa, resistência/sensibilidade aos antimicrobianos e desfecho clínico dos casos – sobrevivência ou óbito. “O Staphylococcus epidermidis foi o microrganismo mais frequente nos bebês com sepse (56,29%) e foi resistente para os antibióticos oxacilina e clindamicina, frequentemente usados para esta cepa”, descreve a médica Bianca Evelyn Piedade Sena. A Klebsiella pneumoniae foi observada em 36,57% dos casos e associada ao óbito dos bebês, pois demonstrou multirresistência para os antibióticos ampicilina, cefepima, ceftazidima, cefuroxima e ceftriaxona. A sensibilidade foi observada apenas para meropenem, amicacina e imipenem, que são antibióticos potentes de amplo espectro utilizados no tratamento de infecções hospitalares graves, especialmente aquelas causadas por bactérias Gram-negativas multirresistentes.

A médica Bianca Evelyn Piedade Sena afirma que a adoção de uma terapia apropriada e imediata no início dos sinais e sintomas da sepse neonatal evitaria as infecções persistentes e resistentes. “Porém, o tempo prolongado dos resultados dos métodos diagnósticos tradicionais pressionam para a adoção de terapias empíricas que elevam o risco de multirresistência e, consequentemente, de óbito”, lamenta. Uma alternativa para agilizar a detecção microbiana seria a adoção de ferramentas da biologia molecular nas unidades de referência neonatal, tal como o PCR em tempo real multiplex que, ao mesmo tempo, detecta o agente infeccioso e é capaz de verificar a presença de genes de resistência/sensibilidade da cepa infectante. Uma vantagem desse método é a alta sensibilidade e especificidade, além de o tempo para liberação do resultado ser bem menor do que os métodos atualmente usados.

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