O câncer de bexiga é causado pelo crescimento desordenado das células que revestem o órgão, podendo ocorrer em vários locais do aparelho urinário. A manifestação mais comum é o carcinoma urotelial, que afeta o tecido interior da bexiga e representa mais de 90% dos casos da doença. Grave e silenciosa, a neoplasia é mais prevalente na população masculina. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga ocupa a 10ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) foram registrados cerca de 11.370 novos casos da doença a cada ano do triênio 2023-2025. Destes, cerca de 7.870 em homens e 3.500 em mulheres. Para o triênio 2026-2028, as estimativas indicam 13.110/ano, com risco estimado de 6,12 casos a cada 100 mil habitantes – a maioria em homens. O tabagismo é o principal fator de risco, seguido por exposições ambientais a certas substâncias químicas.
Embora seja um dos tipos de câncer urológicos mais comuns, a neoplasia ainda é cercada por desinformação. Para esclarecer as dúvidas frequentes, a médica oncologista Luciana Buttros, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), explica o que é mito e o que é verdade sobre a doença.
- Sangue na urina é o único sintoma do câncer de bexiga
Mito – O sangue na urina (hematúria) é um dos sintomas mais conhecidos, mas não é o único. “Dor ou queimação ao urinar (disúria) persistente, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, mudanças nos hábitos de urinar e dor pélvica ou lombar são sinais de alerta importantes”, destaca. Entretanto, é preciso ressaltar que apresentar um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, que a pessoa tenha câncer de bexiga. Por isso, é preciso procurar um médico para um diagnóstico e, se necessário, tratamento mais adequado para cada caso.
- Dor ao urinar é sempre sinal de infecção urinária
Mito – De acordo com a especialista, muitas pessoas confundem sintomas de câncer de bexiga com infecções simples. Entretanto, a diferença está principalmente na persistência e recorrência dos sintomas. “Infecções simples geralmente melhoram com antibióticos em poucos dias. Já sintomas que retornam frequentemente ou que persistem por semanas, mesmo após tratamento, devem ser avaliados com mais atenção”, recomenda.
- A urina pode refletir a saúde da bexiga
Verdade – Cor, cheiro e consistência podem indicar problemas sérios. Assim, a urina reflete diretamente o estado da bexiga e do trato urinário. “Alterações no seu aspecto, a exemplo de coloração avermelhada, turva, com presença de coágulos ou cheiro forte persistente, podem indicar infecções, inflamações ou até tumores”, alerta.
- Mulheres têm menos risco e, por isso, o diagnóstico costuma ser mais rápido
Mito – Apesar de ser mais comum entre os homens, o câncer de bexiga também atinge mulheres e o diagnóstico pode ser ainda mais tardio. “Infelizmente, nas mulheres os sintomas podem ser mais facilmente atribuídos a infecções urinárias ou alterações hormonais, o que leva a atrasos no diagnóstico”, lamenta.
- Não existe exame preventivo para câncer de bexiga
Verdade – Atualmente, não há um exame de rastreamento recomendado para toda a população. De acordo com a médica, a investigação da bexiga ainda depende, na maioria das vezes, de sintomas ou da presença de fatores de risco como tabagismo, exposição ocupacional a substâncias químicas e histórico familiar. Pacientes com maior risco podem precisar de exames mesmo sem sintomas, conforme avaliação médica.
- O tabagismo é o único fator de risco
Mito – Embora o tabagismo seja a principal causa para o desenvolvimento da doença, a exposição ocupacional a produtos químicos, a exemplo de corantes e derivados de petróleo; idade avançada, irritações crônicas na bexiga, histórico familiar de câncer e gênero (mais comum em homens) também são fatores de risco relevantes.
- É normal sentir dor ao urinar por vários dias
Mito – Sentir desconforto urinário por longos períodos nunca deve ser considerado normal. Se sintomas como dor ao urinar e sangue na urina persistirem por mais de uma semana, ou se voltarem com frequência, é fundamental procurar um médico. “O ideal é não esperar que os sintomas se agravem”, orienta a médica.
- Existem exames simples que podem ajudar na detecção precoce
Verdade – Exames laboratoriais como urina tipo 1 e de imagem, a exemplo da ultrassonografia das vias urinárias, podem identificar alterações iniciais. Nos casos de maior suspeita, a cistoscopia – procedimento urológico que permite visualizar diretamente o interior da bexiga – é o mais indicado e eficaz para detectar lesões, mesmo que pequenas ou assintomáticas.
- A doença é incurável
Mito – O câncer de bexiga pode ser curável, especialmente se diagnosticado precocemente, com boas taxas de cura dependendo do estágio e grau do tumor.

