O ligamento cruzado anterior está localizado no interior da articulação do joelho e é responsável por controlar o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur, assim como limitar movimentos excessivos de rotação. No futebol, esse ligamento é constantemente exigido devido às mudanças rápidas de direção, acelerações, desacelerações, saltos e aterrissagens. Na maioria dos casos, a ruptura desse ligamento ocorre sem contato direto com outro jogador. No entanto, em situações menos frequentes como choques, quedas ou traumas que forçam o joelho além de limites fisiológicos, o rompimento pode acontecer por contato direto.
No momento da lesão, muitos atletas relatam a sensação de um estalo no joelho, seguida de dor intensa e rápida formação de inchaço devido ao acúmulo de líquido na articulação. Após a lesão inicial, o lesionado geralmente apresenta dificuldade para apoiar o peso no membro afetado e sensação de instabilidade ao tentar caminhar ou correr. A cirurgia mais indicada para os atletas que desejam retornar rapidamente à prática esportiva competitiva consiste na reconstrução do ligamento rompido utilizando um enxerto. Depois disso, há um longo processo de reabilitação fisioterapêutica.
De acordo com o professor Paulo Roberto Pereira Santiago, esse processo é fundamental para a recuperação da força muscular, da mobilidade articular e do controle sensório-motor do joelho. Assim, o tempo médio para retorno ao futebol varia entre seis e nove meses, podendo ser maior dependendo do tipo da lesão, idade e condição do atleta. “Nosso estudo chama a atenção para aspectos ainda pouco discutidos dentro do processo de recuperação e mostra que o tempo de reabilitação padrão após a cirurgia pode não ser suficiente para garantir que o atleta esteja de fato pronto para retornar ao campo”, alerta. •

