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Microbioma do trato respiratório

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Fatores ambientais influenciam microbioma do trato respiratório

Escrito por: Fernanda Ortiz

O microbioma do trato respiratório é um ecossistema complexo de microrganismos que colonizam as camadas mucosas e as superfícies epiteliais. Em conjunto com o microambiente associado, desempenha um papel vital na manutenção e na promoção da maturação do sistema imunológico. Com o objetivo de oferecer novas perspectivas para a prevenção e o tratamento de doenças respiratórias, um estudo de revisão conduzido por pesquisadores chineses avaliou o impacto de fatores ambientais neste diverso microbioma.

De acordo com os autores, a estabilidade do microbioma do trato respiratório é importante para a manutenção da função respiratória normal e para facilitar a maturação do sistema imunológico neonatal. “A microbiota respiratória normal auxilia na eliminação de patógenos, regula as funções das células imunes do hospedeiro e previne a colonização por patógenos”, descrevem. Enquanto isso, o desequilíbrio nessa composição pode levar à disfunção imunológica, potencialmente desencadeando ou exacerbando doenças respiratórias. 

Pesquisas recentes avaliadas pelos autores confirmaram diferenças substanciais no microbioma pulmonar entre indivíduos com doenças respiratórias prevalentes e controles saudáveis. Além disso, foi identificada presença de disbiose em doenças pulmonares prevalentes que, tradicionalmente, não são consideradas de origem microbiana.

Os autores citam, ainda, que microbiotas distintas do trato respiratório também foram confirmadas entre vários endotipos inflamatórios da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). “Alguns desses estudos revelaram que alterações específicas da inflamação na composição da microbiota respiratória podem servir como biomarcadores viáveis ​​para monitorar e antecipar fenótipos inflamatórios em pacientes com a doença”, comentam.

Risco aumentado de asma

Ao contrário dos adultos, o risco de asma na infância está correlacionado com a composição do microbioma do trato respiratório durante os estágios iniciais do desenvolvimento. Um estudo de coorte prospectivo demonstrou que a abundância relativa elevada de Veillonella e Prevotella – gêneros de bactérias anaeróbicas Gram-negativas – no microbioma respiratório neonatal (com um mês de idade) está associada a um risco aumentado de asma aos seis anos. “Já o aumento da colonização nasal por Haemophilus e a baixa abundância sustentada de Moraxella (bactérias Gram-negativas associadas a infecções respiratórias) na infância (0-12 meses) estão correlacionados com o diagnóstico de asma aos sete anos de idade”, descrevem.

Sobre o câncer de pulmão, pesquisas indicam que a abundância elevada de Streptococcus e Veillonella no fluido de lavagem broncoalveolar (BALF) de pacientes com a neoplasia correlaciona-se com maior infiltração de células inflamatórias. Outro estudo constatou que o enriquecimento de Bacteroidota no trato respiratório inferior exerce efeitos protetores contra a carcinogênese pulmonar. Além disso, alterações na composição de PrevotellaStreptococcus e Clostridium nas vias aéreas inferiores mostram correlações significativas com a magnitude da inflamação pulmonar localizada.

Impacto dos fatores ambientais

Com a intensificação do aquecimento global e o agravamento da poluição atmosférica, o impacto dos fatores ambientais na saúde tem recebido crescente atenção. De acordo com os autores, o trato respiratório está diretamente exposto a parâmetros físicos e químicos da atmosfera, tornando-se uma via fundamental pela qual o ambiente afeta a saúde humana. “Evidências científicas indicam que a temperatura, a umidade e os poluentes atmosféricos podem alterar a incidência de doenças respiratórias ao afetar o microbioma respiratório”, destacam. No entanto, há uma carência de pesquisas abrangentes e sistemáticas nessa área.

Além disso, investigações sobre microrganismos auxiliam na prevenção tanto do início quanto da progressão de doenças. Evidências existentes confirmam, ainda, que a ingestão de probióticos reduz a suscetibilidade a infecções respiratórias. “Dessa forma, estudos futuros devem ter como objetivo investigar as variações no microbioma respiratório sob diversas condições ambientais, para aprimorar nossa compreensão de seu papel na manutenção da homeostase e esclarecer seus mecanismos regulatórios”, sinalizam os autores. O artigo ‘The impact of environmental factors on respiratory tract microbiome and respiratory system diseases’ foi publicado em abril de 2025 na plataforma Springer Nature Link:.

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