Mesmo com o tratamento, o herpes zoster pode evoluir e causar complicações importantes. A mais comum é a neuralgia pós-herpética, que ocorre quando a dor provocada pela reativação do vírus nos nervos se prolonga para além do tempo habitual, ou seja, mesmo depois que as lesões da pele cicatrizaram. “Trata-se de uma dor crônica intensa e pulsante, acompanhada de hiperestesia (aumento da sensibilidade a estímulos) e desconforto, que impacta muito a qualidade de vida. Para alguns pacientes, essa sequela de difícil controle pode persistir por meses ou anos”, comenta o infectologista Diego Rodrigues Falci. Os cuidados terapêuticos incluem analgésicos potentes, a exemplo dos neuromoduladores pregabalina e carbamazepina, que inibem a liberação de neurotransmissores envolvidos na transmissão da dor – como o glutamato.
Quando o vírus acomete o nervo oftálmico – um dos ramos do nervo trigêmeo – pode atingir os olhos e causar problemas recorrentes, crônicos e, em alguns casos, irreversíveis. “Todas as estruturas do olho podem ser afetadas, com o surgimento de um quadro leve de conjuntivite até outros mais severos, como ceratite, glaucoma e hipertensão ocular”, descreve o infectologista. Em geral, sintomas como vermelhidão, maior sensibilidade à luz e baixa visão aparecem em até três meses após a infecção inicial. Apesar de menos incidente, outra manifestação é a síndrome de Ramsay Hunt, que afeta o nervo facial perto da orelha. Seus principais sintomas incluem paralisia facial, dor local e erupção cutânea com bolhas no ouvido ou na boca. O tratamento precoce com antivirais e corticosteroides é crucial para melhorar o prognóstico e reduzir o risco de complicações, como perda auditiva e paralisia facial permanente no lado afetado.
De acordo com o infectologista Diego Rodrigues Falci, estudos recentes identificaram que o herpes zoster pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) e, consequentemente, os casos de internação hospitalar. Isso ocorre devido à inflamação causada pela doença no corpo, inclusive nos vasos sanguíneos. “O risco de um evento cardiovascular grave é cerca de 30% maior após a infecção por herpes zoster, e essa é uma relação que pode ser mantida por anos”, alerta. Além disso, o vírus pode causar neuroinflamação ou dano neural direto no cérebro, elevando o risco de quadros de demência. Entretanto, estudos observacionais têm demonstrado uma associação entre a vacinação contra o VVZ e um risco significativamente menor de desenvolver demência, com algumas estimativas apontando para uma redução de até 30%.

