Comer um alimento estragado pode parecer, à primeira vista, que vai gerar apenas um pequeno contratempo gastrointestinal. No entanto, os efeitos no sistema digestório podem ser muito mais severos, dependendo do tipo de contaminação envolvida. Portanto, o risco para a saúde é relevante, pois alimentos deteriorados podem estar contaminados com microrganismos ou toxinas que causam desde um simples desconforto até infecções graves. Nestes casos, não é incomum a apresentação de sintomas relevantes como dor e desconforto abdominal, diarreia, gases, vômitos, febre, fraqueza e, inclusive, um maior risco de desidratação.
Assim que é ingerido, o alimento estragado percorre o trato digestivo onde os microrganismos patogênicos podem se multiplicar rapidamente. De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Rodrigo Barbosa, do dos hospitais Sírio-Libanês e Nove de Julho, em São Paulo, algumas bactérias presentes em alimentos nestas condições causam reações importantes adversas. “Bactérias como Salmonella, Escherichia coli e Clostridium botulinum liberam toxinas que causam desde náuseas e vômitos até infecções severas, que podem inclusive levar à necessidade de internação hospitalar”, adverte.
Essas bactérias podem ser encontradas em uma variedade de alimentos incluindo carnes, aves, ovos, leite, produtos lácteos, pescados, conservas vegetais (como palmito e picles), produtos cárneos cozidos, curados e defumados, e até mesmo no mel. O médico explica que, durante a ingestão dos alimentos contaminados, o organismo tenta eliminar o agente nocivo rapidamente. Como resposta ocorrem sintomas como diarreia intensa, cólicas abdominais e febre. “Em casos mais graves, dependendo do tipo de bactéria ou fungo ingerido, pode ocorrer até mesmo septicemia, quando a infecção se espalha pela corrente sanguínea”, orienta.
Contaminação por fungos
Além das bactérias, alguns fungos podem produzir micotoxinas, ou seja, substâncias tóxicas que podem causar intoxicação alimentar e levar a danos hepáticos e neurológicos no longo prazo. Segundo o médico, alimentos com mofo visível, especialmente pães, grãos e derivados, devem ser descartados imediatamente. “As micotoxinas são resistentes ao calor e podem permanecer nos alimentos mesmo após o cozimento, tornando o consumo altamente perigoso”, alerta.
No pão, por exemplo, podem ser encontrados fungos como Aspergillus, Penicillium, Fusarium, Mucor e Rhizopus. Já em frutas e queijos, outros tipos de bolor podem se desenvolver. Portanto, a recomendação do especialista é que, nesses casos, nem a parte do alimento aparentemente saudável deve ser consumida, pois alguns mofos podem produzir substâncias invisíveis e potencialmente nocivas.
Cuidado redobradoEmbora sintomas leves possam ser tratados em casa com hidratação e repouso, o cirurgião Rodrigo Barbosa alerta para sinais que exigem atenção médica imediata. “Diarreia com sangue, febre alta persistente, vômitos incontroláveis e sinais de desidratação, como boca seca e tontura, não devem ser menosprezados”, alerta. No caso de crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa, os cuidados devem ser redobrados, pois podem evoluir rapidamente para condições mais graves. Para prevenir esses quadros a orientação é nunca consumir alimentos estragados ou potencialmente contaminados.
Fique ligado!
- Lavar bem frutas e verduras
- Respeitar prazos de validade
- Estar atento ao armazenamento adequado de cada alimento
- Evitar o consumo de produtos com cheiro ou aparência alterados
- Sempre evitar deixar comida fora da geladeira por longos períodos

