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Medicina integrativa

• Nutrição

Ganho de peso pode ser por desequilíbrio do corpo

Escrito por: Elessandra Asevedo

Dormir mal, viver sob constante estresse, pular refeições ou comer com pressa são hábitos que, mesmo diante de uma alimentação aparentemente equilibrada, podem desorganizar completamente o metabolismo. Na visão da medicina integrativa, esses são alguns comportamentos que disparam processos silenciosos, como resistência à insulina e inflamação crônica. Isso gera acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal que, muitas vezes, não são revelados em exames tradicionais.

De acordo com o médico nutrólogo Adriano Faustino, é comum encontrar pacientes que já passaram por diferentes médicos e convivem com sintomas persistentes como dores, insônia, ansiedade, baixa energia ou um cansaço que não passa. Nessas situações, o que falta muitas vezes não é tratamento, mas um olhar mais profundo, integral e humano.

E esse é exatamente o propósito da medicina integrativa, ou seja, cuidar da pessoa como um todo e não apenas de uma doença específica. “Isso significa investigar hábitos, emoções, qualidade do sono, alimentação, relações, estilo de vida e até marcadores inflamatórios ocultos que costumam ser ignorados em abordagens convencionais”, explica o especialista em Nutrição Funcional, Fisiologia Hormonal e Geriatria.

Medicina integrativa

A medicina integrativa nasceu nos Estados Unidos na década de 1970 e vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil por oferecer uma abordagem ampla e eficaz da saúde. Assim, une o melhor da medicina convencional com práticas milenares e terapias complementares como alimentação funcional, fitoterapia, suplementação, atividade física, acupuntura e terapias emocionais.

Portanto, o foco não está apenas no sintoma isolado, mas no paciente na totalidade. Por isso, as consultas são mais longas e detalhadas, e a primeira consulta pode durar até duas horas e meia. Esse tempo é dedicado à escuta ativa, análise minuciosa de exames laboratoriais e construção de um plano de cuidado totalmente personalizado.

Inflamação silenciosa

Na medicina integrativa, um dos principais focos é identificar e tratar a inflamação crônica subclínica, um processo inflamatório silencioso, sem dor, febre ou sinais evidentes, mas que desgasta o organismo de forma progressiva. Essa condição está associada ao surgimento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, Alzheimer, problemas cardiovasculares e até câncer.

Essa inflamação vai corroendo o organismo por dentro e, muitas vezes, só é descoberta quando a doença já está instalada. Por isso, o foco tem de ser na prevenção, não apenas no tratamento”, alerta o médico. Quatro fatores principais costumam estar por trás do ganho de peso silencioso. Um deles é a resistência à insulina, que faz o corpo armazenar glicose em forma de gordura, mesmo comendo pouco.

Já a desregulação hormonal, marcada pelo cortisol elevado, baixa produção de melatonina ou alterações na tireoide, afeta diretamente o metabolismo. A privação de sono aumenta em até 55% o risco de obesidade, independentemente do consumo calórico, enquanto a inflamação crônica, que atua de forma silenciosa, dificulta a queima de gordura e contribui para doenças sistêmicas.

Mesmo com exames laboratoriais aparentemente normais, muitos pacientes não conseguem emagrecer ou apresentam sintomas persistentes como fadiga, insônia e irritabilidade. E, de acordo com o médico nutrólogo, isso ocorre porque estão presos em um ciclo de desequilíbrio metabólico. Assim, acabam sendo tratados apenas com medicamentos ou dietas restritivas que oferecem alívio temporário, mas não resolvem a raiz do problema. “O caminho real passa por reprogramar o metabolismo com mudanças no sono, no controle do estresse, na alimentação e no estilo de vida como um todo”, explica.

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