A principal manifestação clínica da dermatite atópica é o prurido, muitas vezes surgindo antes de qualquer lesão visível na pele. De acordo com o dermatologista Roberto Takaoka, o prurido intenso causado pela liberação de inúmeros agentes inflamatórios na pele, associado a fatores psicológicos, pode levar a um ciclo vicioso de coceira, resultando no aumento de lesões na pele e problemas secundários, a exemplo de infecções bacterianas, inflamação crônica, espessamento da pele e alteração de cor. “Além do prejuízo físico, a coceira perturba o sono, afeta o desenvolvimento (especialmente das crianças até os dois anos de idade), leva à abstenção escolar ou no trabalho e, sem dúvida, impacta a qualidade de vida de forma significativa”, enfatiza.
Outro sintoma característico são as lesões cutâneas conhecidas como eczemas, que se manifestam de forma distinta de acordo com a idade, tanto em relação à localização quanto em suas características. Em bebês menores de dois anos (dermatite do lactente), as lesões são avermelhadas, úmidas, com crostas e intensa coceira, sendo mais comuns no rosto (principalmente nas bochechas), couro cabeludo, pescoço, abdômen e superfícies extensoras de braços e pernas.
Após os dois anos de idade as lesões ficam mais secas e espessas devido ao ato de coçar, podendo apresentar descamação fina e fissuras. “Nesta fase, as lesões se concentram nas dobras, ou seja, nas pregas dos cotovelos e dos joelhos, além de punhos, tornozelos, pescoço e, em alguns casos, nas orelhas e na face”, descreve a pediatra Marcia Carvalho Mallozi. A partir da adolescência, as lesões continuam a predominar nas áreas de flexão (dobras) e, principalmente nos adultos, é comum o aparecimento da dermatite atópica nas mãos, nos pés e no pescoço.
Gatilhos
Segundo a dermatologista Cristina Marta Maria Laczynski, diversos gatilhos podem desencadear e intensificar os sintomas da doença, embora cada caso seja único. Dentre os fatores mais prevalentes estão alérgenos (pelos de animais, ácaros, pólen) e irritantes (maquiagens, perfumes, sabonetes abrasivos, sabão de lavar roupas, tecidos sintéticos e de lã). Além disso, condições ambientais (suor excessivo, temperaturas elevadas, frio intenso, clima seco e baixa umidade, poluição e fumaça de cigarro) e estresse emocional, que tende a aumentar a liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina, podem intensificar a inflamação na pele e piorar a coceira. A lavagem excessiva da pele, o uso de água quente e alergias respiratórias, como rinite e asma, também podem influenciar o quadro inflamatório. “Em relação às alergias alimentares, é preciso investigar se há de fato uma relação e, em caso positivo, substituir os alimentos desencadeantes de acordo com orientação do médico ou nutricionista”, pontua.

