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Doação de tecido ósseo de paciente vivo

Escrito por: Elessandra Asevedo

A doação de tecidos também pode ser de doador vivo, embora só seja possível em situações específicas, a exemplo de artroplastia do quadril para colocação de prótese, quando a cabeça femoral é retirada. A técnica não interfere na cirurgia e, neste caso, o próprio paciente autoriza a utilização da cabeça femoral pelo banco de tecidos. “A cabeça de fêmur, antes descartada como resíduo hospitalar, agora pode transformar a vida de pacientes que necessitam de um transplante ósseo”, acentua o biólogo Luiz Henrique de Freitas Filho. Já o doador cadáver é aquele que evoluiu com morte encefálica ou parada cardíaca durante a internação hospitalar.

A vontade de ser doador deve ser comunicada em vida à família, pois a retirada do tecido só poderá ser feita mediante autorização por escrito do familiar mais próximo ou responsável legal. O processo começa com notificação ao banco de tecidos sobre um potencial doador por parte do hospital. O banco faz avaliação dos dados clínicos do doador, inclusive sorológicos, para minimizar a transmissão de doenças infectocontagiosas como hepatite B e C, AIDS, malária e outras. Com a aprovação, a equipe do banco vai até o local para a captação. A doação poderá ser excluída se o doador for portador de alguns tipos de câncer, osteoporose, doenças infecciosas ou se tiver utilizado corticoide por tempo prolongado, entre outros fatores.

“Todo o processo de captação é feito dentro do centro cirúrgico com critérios similares à cirurgia tradicional. O tecido é armazenado em caixas de transporte com controle de temperatura para voltar ao banco. Durante a captação, a equipe colhe materiais para análise microbiológica do tecido”, esclarece o ortopedista Rafael Prinz. Posteriormente, os tecidos passam por um processamento técnico, que inclui limpeza e cortes conforme o tipo e a finalidade, além de lavagens com alguns produtos, como álcool e soro fisiológico para remover resíduos celulares e contaminantes que possam comprometer a qualidade e segurança. Os tecidos são processados em ambientes com controle rigoroso de temperatura, umidade e pressão, projetados para minimizar a presença de partículas no ar e reduzir o risco de contaminação. Todo o processo segue normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e padrões internacionais, garantindo que os tecidos estejam com a integridade preservada.

Depois do processamento, os tecidos são identificados por lotes, acondicionados em embalagens estéreis apropriadas e armazenados em temperaturas controladas. “Somente após a análise completa dos resultados e a aprovação em todos os critérios de qualidade e segurança, os tecidos são liberados para serem utilizados nos transplantes”, reforça o biólogo Luiz Henrique de Freitas Filho. O tempo de armazenamento varia de acordo com o tipo de tecido e a técnica de preservação utilizada.

Assim, tecidos ósseos e tendões que são congelados a -80°C, assim como tecidos liofilizados como os ossos submetidos ao processo de sublimação – no qual a água é retirada diretamente do estado sólido para o gasoso –, possuem validade de até cinco anos. A vantagem dos ossos liofilizados é que podem ser armazenados em temperatura ambiente. Ambas as técnicas garantem a preservação estrutural do tecido para uso em transplantes. •

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