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Respiração e aspectos cognitivos

Escrito por: Fernanda Ortiz

A rinite alérgica e a hipertrofia adenotonsilar são doenças inflamatórias crônicas e obstrutivas comuns na infância. Frequentemente associadas, ambas afetam as vias aéreas superiores levando a sintomas semelhantes como obstrução nasal, respiração oral, diminuição da capacidade de sentir cheiro, roncos e sono agitado. Dessa forma, refletem na qualidade de vida, em dificuldade de aprendizagem e problemas no desenvolvi­mento. Recentemente, uma pesquisa de mestrado conduzida no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou os ­efeitos das duas doenças no comportamento ­infantil.

De acordo com a médica otorrinolaringologista Maíra Soares Torres, autora do estudo, a rinite alérgica é desencadeada por uma reação de hipersensibilidade do sistema imunológico mediado por imunoglobulina E (IgE), um anticorpo em resposta a alérgenos inalados – como ácaros, pólen e pelos de animais. Já a hipertrofia adenotonsilar é definida pelo aumento de volume das tonsilas palatinas (amígdalas) e/ou faríngea (adenoides), gerando obstrução das vias aéreas superiores. “Com impacto significativo na saúde e no bem-estar geral por causa dos sintomas, ambas as condições são associadas a alterações comportamentais, dificuldade de aprendizagem, déficit de memória e de atenção. Assim, resultam no menor desempenho escolar em comparação a crianças respiradoras nasais”, descreve a pesquisadora, que é Oficial Médica Otorrinolaringologista da Força Aérea Brasileira (FAB).

Para analisar a ocorrência dessas alterações, o estudo observacional e transversal realizado em 2022 reuniu 44 crianças com idades entre 6 e 14 anos, respiradores orais e nasais (respiração sem restrição), atendidas nos ambulatórios do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da UFMG. Avaliados por equipe multidisciplinar, todos os participantes passaram por anamnese, exame físico, audiometria tonal, rinomanometria anterior ativa (exame que mede a resistência e o fluxo de ar em cada cavidade nasal), nasofibrofaringolaringoscopia (exame de imagem para verificar estruturas internas do nariz, faringe e laringe) e teste alérgico cutâneo. A partir desses dados, as crianças foram divididas em quatro grupos: controle (com respiração nasal), rinite alérgica, hipertrofia adenotonsilar (com adenoide ou amigdala aumentados) e crianças com as duas condições.

A partir desses dados, as crianças foram divididas em quatro grupos: controle (com respiração nasal), rinite alérgica, hipertrofia adenotonsilar (com adenoide ou amígdala aumentados) e crianças com as duas condições. Na sequência, os participantes foram submetidos ao teste neurofisiológico P-300 (Potencial Evocado Auditivo de Longa Latência), que utiliza estímulos sonoros para identificar alterações no cérebro e avaliar memória, atenção, função executiva e cognição. Além disso, foram utilizados dados da avaliação com Escala de Swanson, Nolan e Pelhan (SNAP IV) e Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ) – ferramentas para rastrear sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) – respondidos pelos pais.

A pesquisadora destaca que os testes possibilitaram avaliar aspectos como hiperatividade, impulsividade, desatenção e relacionamentos interpessoais. “A precisão das respostas dos pais e/ou cuidadores foi determinante para a pesquisa, pois as avaliações apresentaram correlação significativa com o desempenho comportamental e cognitivo”, observa. O fato de a coleta de dados ter ocorrido no final da pandemia da covid-19 foi um fator importante para os resultados, pois os pais puderam observar integralmente o comportamento, o padrão de sono e o desenvolvimento das crianças.

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