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Crianças e adolescentes

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Os riscos da superexposição de crianças nas redes sociais

Escrito por: Fernanda Ortiz

Com as redes sociais fazendo parte do cotidiano da sociedade global, o hábito de compartilhar imagens, vídeos e momentos da vida das famílias se tornou algo comum. Conhecido como sharenting – junção das palavras share (compartilhar) e parenting (parentalidade) –, esse fenômeno levanta questões sérias sobre privacidade, segurança e bem-estar de crianças e adolescentes. Essa superexposição virtual pode resultar, inclusive, em impactos significativos no desenvolvimento infantil.

Embora seja natural que os pais sintam orgulho dos filhos e registrem momentos especiais, a admiração hoje está pública demais nas redes sociais. “Muitas vezes postadas sem uma prévia reflexão sobre as consequências, as imagens são acessíveis a desconhecidos e fora do contexto familiar”, destaca a psicóloga Thelma Alves de Oliveira, assessora da diretoria do Hospital Pequeno Príncipe, no Paraná.

Apesar de ser um tema relativamente novo, o sharenting  já é um fenômeno conhecido. “Essa é, sem dúvida, a geração mais observada em toda a história e, lamentavelmente, a ausência de cuidado com o compartilhamento das imagens pode afetar o desenvolvimento emocional e psicológico das crianças e adolescentes”, alerta a especialista. Autoestima fragilizada, insegurança devido à quebra de confiança daqueles que deveriam protegê-la e uma percepção distorcida de si mesmo, por achar que precisa ser perfeita na visão dos outros, são aspectos relevantes que interferem na formação natural da personalidade.

Riscos são reais

De acordo com o relatório divulgado pela Children’s Commissioner – órgão internacional de proteção dos direitos de crianças e adolescentes em vários países – em média, uma única criança tem 1,3 mil fotos publicadas nas redes sociais. Todas foram postadas antes de a criança completar 13 anos de idade.

Segundo a psicóloga, essa exposição – ainda que pareça inofensiva – pode oferecer riscos importantes como perda de privacidade e controle sobre o que é postado e uso indevido dessas imagens por pedófilos e exploradores sexuais. “Além disso, revelação de detalhes privados do cotidiano aumenta a ação de criminosos, e há risco de bullying e cyberbullying, pois, o que parece ‘fofo’ pode tornar-se gatilho de humilhação e comentários odiosos”, alerta.

Portanto, antes de compartilhar imagens de crianças e adolescentes é importante que pais e cuidadores adotem medidas de segurança digital. O primeiro passo é ter uma postura reflexiva, pensando no que a criança achará dessa publicação no futuro. “Também é importante refletir se a imagem publicada pode afetar sua autoestima, intimidade ou informações privadas”, acentua a especialista.

Se a família optar pela publicação, a orientação é compartilhar em grupos fechados, preferencialmente do ciclo familiar próximo. Além disso, nunca utilizar fotos com poucas roupas ou em situações que possam ser constrangedoras, não divulgar nome completo, colégio, localização ou momentos da rotina e, a depender da idade, pedir o consentimento da criança.

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