Selo de 25 ano - Revista Super Saudável
Logo Yakult 90 anos - Site
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas

• Matérias da Edição

| Matéria de Capa

Impactos sociais, emocionais e psicológicos

Escrito por: Fernanda Ortiz

Devido ao caráter crônico e aos sinais visíveis na pele, a dermatite atópica pode levar à estigmatização, baixa autoestima, isolamento social e bullying, causando impactos emocionais, sociais e psicológicos especialmente nas crianças maiores e nos adolescentes. Estudos na literatura indicam que a dermatite atópica está associada à depressão, ansiedade e aos transtornos comportamentais, que podem agravar os sintomas da doença. Esses quadros demandam atendimento interdisciplinar – ­incluindo atendimento psicológico – para cuidados mais efetivos. Confirmando os dados científicos, um estudo conduzido na Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificou que o risco para transtornos mentais (TM) em pacientes com dermatite atópica, nesta faixa etária, é maior quando comparado a seus irmãos ­saudáveis.

O estudo transversal, realizado no Ambulatório de Dermatologia Pediátrica do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, entre julho de 2016 a junho de 2018, envolveu a participação de 100 crianças e adolescentes com diagnóstico de dermatite atópica atendidos na Instituição, e 50 irmãos saudáveis – todos com idade entre 1,5 e 14 anos. Segundo a neuropsicóloga e pesquisadora Mariana Muzzolon, as avaliações do grupo DA foram realizadas nos dias de consulta ambulatorial. O grupo sem diagnóstico foi avaliado simultaneamente ou recrutado para avaliação em data posterior. Na presença de mais de um irmão saudável, ambos foram considerados para o estudo.

As variáveis da pesquisa incluíram a avaliação da gravidade da doença – de acordo com os escores SCORAD e EASI – e o risco para transtornos mentais (de ambos os grupos) a partir da análise do questionário Child Behavior Checklist (Lista de Verificação de Comportamento Infantil) preenchido pelos pais ou responsáveis. O questionário abrange aspectos como ansiedade, depressão, isolamento, queixas somáticas, problemas de agressividade, problemas de atenção e dificuldades sociais. “A avaliação dos questionários confirma o que é observado na prática clínica e em estudos anteriores. Enquanto na idade pré-escolar a grande dificuldade está relacionada aos sintomas físicos, nos pré-adolescentes e adolescentes a aparência passa a ser fator determinante para intensificar comportamentos depressivos, de isolamento ou de baixa autoestima”, observa a pesquisadora Mariana Muzzolon, principal autora do estudo.

Risco elevado

Os achados indicaram que crianças e adolescentes com DA apresentam elevada frequência de risco para transtornos mentais (63%), maior do que o esperado para a população pediátrica geral (24,6%). Além disso, a frequência de risco para TM nos irmãos saudáveis (36%) foi menor em comparação aos participantes com DA. Em ambos os grupos houve maior frequência de risco para TM em escolares em comparação aos pré-escolares.

“Em relação à gravidade da doença, foi observado maior risco nos pacientes com DA moderada/grave, principalmente para problemas de sono e reatividade emocional”, acentua a pesquisadora. Apesar das limitações, incluindo a falta de avaliação da causalidade das associações, os achados oferecem insights para novas investigações no campo da saúde mental infantil, particularmente na área de Dermatologia Pediátrica. O artigo ‘Risco para transtornos mentais em crianças e adolescentes com dermatite atópica e seus irmãos saudáveis‘ está disponível no Acervo Digital da UFPR.

DIREITOS RESERVADOS ®
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Companhia de Imprensa e da Yakult.

Posts Recentes

• Mais sobre Matérias da Edição