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Alimentos ultraprocessados

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Efeitos do consumo de ultraprocessados por crianças

Escrito por: Elessandra Asevedo

Os alimentos ultraprocessados contribuem para quase metade da ingestão de energia entre crianças em idade pré-escolar no Canadá, mas seu impacto no funcionamento comportamental e emocional permanece subexplorado. Por isso, pesquisadores desenvolveram um estudo para examinar as associações entre a ingestão de alimentos ultraprocessados ​​aos três anos de idade e os resultados comportamentais aos cinco anos. De acordo com os cientistas, a dieta é um fator de risco modificável que pode influenciar o desenvolvimento comportamental na primeira infância.

A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento comportamental e emocional, com implicações de longo prazo para o funcionamento psicossocial e as trajetórias de saúde. Portanto, sintomas comportamentais adversos que surgem durante esse período são preocupações pediátricas comuns. Os sintomas podem ser internalizantes, como ansiedade e retraimento, e externalizantes, a exemplo de agressão e hiperatividade.

Esses sintomas são cada vez mais reconhecidos como indicadores precoces de problemas de saúde mental na vida adulta. Globalmente, os transtornos mentais representam 32,4% dos anos vividos com incapacidade e 13% dos anos de vida ajustados por incapacidade. E dados recentes sugerem uma prevalência crescente desses problemas em crianças. “Contudo, a maior parte das pesquisas existentes tem se concentrado em associações específicas com nutrientes”, relatam os pesquisadores.

A pesquisa

O Estudo de Coorte CHILD é amplamente representativo das características sociodemográficas de quatro regiões no centro e oeste do Canadá: Vancouver, Edmonton, Manitoba e Toronto. “As distribuições de renda, educação e etnia são comparáveis aos dados nacionais, embora as mães participantes tenham uma formação educacional ligeiramente superior”, explicam os autores.

O estudo de coorte incluiu 2077 crianças dessas regiões. Os dados dietéticos e comportamentais foram coletados entre setembro de 2011 e abril de 2018 e a análise dos dados foi realizada entre fevereiro e julho de 2025. A ingestão de alimentos ultraprocessados aos três anos de idade foi avaliada por meio de um questionário de frequência alimentar de 112 itens.

Achados

Os pesquisadores observaram que uma maior ingestão de alimentos ultraprocessados ​​aos três anos de idade foi associada a sintomas comportamentais e emocionais adversos aos cinco anos. “Embora a magnitude do efeito tenha sido modesta, essas diferenças podem ser significativas em nível populacional”, pontuam. Além disso, observaram que a substituição de uma porção desses itens por alimentos minimamente processados ​​foi associada a uma melhora nos sintomas comportamentais e emocionais.

Para os pesquisadores, é importante fortalecer as políticas de nutrição na primeira infância para apoiar o desenvolvimento comportamental saudável e, potencialmente, melhorar a saúde mental na vida adulta. “Nossos resultados estão alinhados com trabalhos anteriores do Reino Unido, nos quais a ingestão de alimentos ultraprocessados como hambúrguer, aves empanadas, batatas fritas e chocolate, aos 4,5 anos de idade, foi associada à maior hiperatividade aos sete anos”, acentuam os autores.

Nutrientes são essenciais

Os mecanismos que ligam o consumo de alimentos ultraprocessados ​​ao desenvolvimento comportamental e emocional na primeira infância ainda são pouco compreendidos, mas diversas vias neurobiológicas têm sido propostas. Esses alimentos são geralmente pobres em fibras e densidade de micronutrientes e ricos em gordura saturada, açúcares, sódio e densidade energética.

Por exemplo, as gorduras saturadas promovendo neuroinflamação e alteração da sinalização intestino-cérebro. Já o excesso de sódio está associado ao aumento da responsividade ao estresse e a processos neuroinflamatórios, enquanto a alta ingestão de açúcar é associada à desregulação emocional e sintomas depressivos. O artigo ‘Ultraprocessed food consumption and behavioral outcomes in Canadian children’ foi publicado em 2026 no JAMA Network – doi:10.1001/jamanetworkopen.2026.0434.

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