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Probióticos no climatério

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Estudos demonstram benefícios dos probióticos

Escrito por: Adenilde Bringel

Uma metanálise que envolveu 39 estudos e 3 mil mulheres, publicada em 2025, investigou o impacto dos probióticos no climatério e durante a transição da menopausa. Além disso, os cientistas exploraram o potencial dessas cepas para aumentar a eficácia das substâncias estrogênicas em mulheres na perimenopausa ou pós-menopausa. Os resultados demonstraram que alguns probióticos tiveram efeitos positivos nos sintomas, na saúde urogenital e óssea, assim como na eficácia e segurança do estriol e das isoflavonas. De acordo com os autores, os probióticos avaliados podem melhorar a eficiência do estroboloma no metabolismo do estrogênio para sua forma não conjugada e biodisponível, aumentando os níveis de estrogênio circulante e, portanto, diminuindo alguns sintomas como a secura vaginal. Apesar disso, os resultados não foram significativos para reduzir sintomas somáticos e sexuais.

“Em alguns dos estudos avaliados nessa metanálise os pesquisadores usaram probiótico oral, enquanto em outros usaram probiótico tópico. E uns seis ou sete analisaram bebidas fermentadas com probióticos. Para quem estuda probiótico é uma diversidade muito grande, mas os resultados são muito promissores”, comenta a professora Priscila Larcher Longo. Apesar de considerar esses estudos difíceis e complexos devido à diversidade de fatores que interferem na vida feminina, o grupo de pesquisa da USJT está começando a recrutar mulheres para um estudo com probióticos no climatério e na menopausa. A ideia é trabalhar com cepas comerciais e de valor acessível, além de incentivar o consumo de mais frutas, vegetais e fibras para melhorar a microbiota intestinal. O foco é melhorar o estroboloma e favorecer as bactérias que fazem essa reciclagem do estrogênio no intestino. O grupo pretende avaliar sono, humor, secura vaginal e dores que, muitas vezes, acompanham a menopausa. A meta é chegar a 30 participantes consumindo probiótico por 12 semanas.

Na mesma linha, um grupo de pesquisa da Universidade Paulista – UNIP – campus Jundiaí, em São Paulo, fez uma revisão científica intitulada ‘Influência dos probióticos na menopausa’. O objetivo era verificar se alguns probióticos poderiam ajudar a amenizar os sintomas associados a esta fase, dentre os quais a perda óssea e o ganho de peso. Como resultado, os autores concluíram que a administração diária de uma cápsula via oral das espécies Bifidobacterium bifidum W23, B. lactis W51, B. lactis W52, Lactobacillus acidophilus W37, L. brevis W63, L. casei W56, L. salivarius W24, L. lactis W19 e L. lactis W58, por 12 dias, próximo a uma das principais refeições, seria o protocolo mais eficaz e duradouro para alcançar resultados sobre parâmetros de obesidade e perda da massa óssea na menopausa.

Orientadora da revisão científica, a farmacêutica-bioquímica Veronica C. G. Soares, professora doutora coordenadora do curso de Farmácia da UNIP, ressalta que é preciso lembrar que existe um eixo chamado intestino-vagina quando se estuda o uso de probióticos. E a diferença dessas duas microbiotas está no pH. “Quando a mulher menstrua ocorre uma descamação da região do endométrio e podem ocorrer infecções oportunistas, porque isso inverte a microbiota vaginal por causa do pH. Depois de dois ou três dias a vagina retorna ao pH mais ácido e tudo volta ao normal”, explica. No entanto, quando entra em climatério esse ciclo fica constante e aquelas bactérias que eram dependentes de pH ácido diminuem. Portanto, é um sistema inteiro que vai passar por uma fase de adaptação.

Para a professora, por ter vários interferentes na via oral, a reposição com probióticos pela via intravaginal é mais interessante para manutenção desse pH porque oferece uma resposta mais rápida, em quatro ou cinco dias. E uma das espécies que ficam praticamente ausentes no climatério e devem ser repostas é o L. reuteri. “Os estudos mostram que a melhora com o uso de probióticos é sempre de sinalização para o sistema nervoso central”, enfatiza. Entre os exemplos estão a melhora da insônia e do sono agitado, assim como a disforia – estado de profundo desconforto emocional, insatisfação, ansiedade ou inquietação. Já o ressecamento vaginal causa infecções urinárias recorrentes que, muitas vezes, implicam no uso de antibiótico. E é sabido que, quanto mais antibiótico, mais disbiose. Dessa forma, a mulher acaba caindo em um ciclo vicioso de sintomas que atrapalham a qualidade de vida. Por isso, a recomendação é manejar a menopausa para passar por essa fase de uma forma mais tranquila.

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